OS PÁSSAROS SE RECONHECEM PELAS PENAS
A vida segue um ciclo. As pessoas nascem, crescem, e fenecem. Nesse intervalo várias ocorrências vão intercalando cada momento vivido. Sim, durante seu desabrochar as descobertas vão se sucedendo em doses homeopáticas…
A Sociedade segue uma série de regras e critérios desenvolvidos para manter a Ordem… afinal, o contrário seria o Caos. E Caos, definitivamente, não é a melhor escolha para a vida em grupo. O problema é que essas regras são inflexíveis, não podendo ser desobedecidas. Afinal, o indivíduo não importa, ele é apenas uma parte do todo…
Dizendo assim, dessa maneira, tudo parece fácil, simples de se decidir, não é mesmo? Afinal, se existem regras que estabelecem como a vida deve se desenvolver, basta seguir o script que recebemos no decorrer da vida e tudo estará resolvido. Seria bom se realmente tudo se resumisse a isso…
O problema é que a vida em sociedade é mais complexa que algumas regras pré estabelecidas. Há variantes que não podem ser postas de lado simplesmente porque não combinam com aquilo que foi decidido a eras atrás como líquido e certo. E isso acaba por impactar em vários aspectos da vida do indivíduo. Sua forma de se apresentar perante a Sociedade depende da validação desta. Ou seja, para que seja reconhecido como participante de determinado grupo, tem que, obrigatoriamente, cumprir uma série de requisitos. Pois somente depois de preencher essas exigências poderá ser considerado um representante válido de tal grupo. Sem essa validação, o elemento será apenas um pária, pois não cumpriu os requisitos básicos para ser reconhecido como tal…
Vivemos em um Mundo onde os papéis são divididos de acordo com o sexo de nascimento. E, dependendo da região em que nascemos, temos que seguir os parâmetros definidos para cada um. Na maioria das Sociedades vivemos um regime onde, teoricamente, o homem detém o comando. Nem sempre isso é real, pois a vida em família quase sempre segue uma dinâmica diferente daquela esperada. Mas é inegável que, na maioria dos Grupos Sociais, a mulher leva desvantagem quanto a distribuição de direitos. Mas mesmo com toda restrição sofrida por estas, ainda são vistas, mesmo que de uma forma distorcida. Mas, além do duo homem/mulher existem aqueles e aquelas que não tem seu direito à vida reconhecido. São como fantasmas ambulantes, pois segundo os Cânones reconhecidos, jamais deveriam existir…
A Sociedade Heteronormativa não aceita… não consegue aceitar… nenhum tipo de relacionamento que seja diferente daquilo que foi instituído. Não que estas relações prejudiquem, de alguma forma, a Constituição Familiar. As relações entre as pessoas não sofrem, de maneira alguma, nenhum tipo de influência que possa “desintegrar” o bom relacionamento social. Mas não é isso que a Tradição prega. E se vai de encontro à Tradição, então tal conduta deve ser combatida, sem quartel…
A Sociedade Heteronormativa procura incutir na mente das pessoas que aqueles que fogem do padrão estipulado como o “correto” quanto ao relacionamento social poderão “desviar” pessoas do caminho esperado. O que aqueles que estão no comando não percebem é que ninguém muda no decorrer de sua vida. Você é quem você nasceu. Se é um homem ou mulher cis, o será até o dia em que deixar esse plano de existência. Se nasceu dentro do espectro LGBT, também irá permanecer neste até seus últimos dias. Porque essa é sua essência. Não é algo que consiga alterar, não importa de que maneira…
Creio que nesse momento devo fazer um aparte. Porque falei em pessoas Cis e pessoas do espectro LGBT. Aqui há necessidade de um pequeno esclarecimento. E esta tem a ver com as letras que formam a sigla. “L” significa Lésbica. “G”, gay. “B” quer dizer Bissexual e “T” tanto pode dizer travesti como Transsexual. Parece a mesma coisa. Nem sempre é…
Na verdade, esse parte é para dizer que uma pessoa homossexual (Lésbica ou Gay) também é uma pessoa Cis. É alguém que se identifica com seu sexo de nascimento, o que condiz com a nomenclatura apresentada. Ou seja, embora fuja do espectro heteronormativo, é uma pessoa que se reconhece como pertencente ao sexo de nascimento. O único senão é que esta se sente atraída romanticamente por pessoas do mesmo sexo…
O Bissexual também pode ser Cis. Pode não ser. Quanto às pessoas sob a quarta letra… depende muito de como se identificam. Se se identificam como “Travestis”, tanto podem ser ou não “Cis”. Se o fato de se vestirem com roupas do sexo oposto for apenas para uma apresentação artística e a pessoa ver essa colocação por esse prisma, muito provavelmente ela é “Cis”… eu disse “provavelmente”…
E o Transsexual? Bem, essa pessoa não se identifica com o sexo de nascimento. Embora tenha nascido pertencendo biologicamente a determinado sexo, ela se identifica com o gênero oposto. Mas aí temos que explicar um ponto… embora sua identificação seja com o gênero oposto, isso não significa que sua atração romântica seja por pessoa do mesmo sexo… e por um único motivo… identidade de gênero e orientação sexual são duas coisas diferentes. E é isso que costuma dar nó na cabeça das pessoas…
Depois dessa introdução, é hora de entrar no assunto principal. Que, logicamente, fala sobre o/a transsexual. Em sua fase adulta. O que significa, a grosso modo, que falarei dos e das sobreviventes. Pois nem todos, nem todas chegam à vida adulta. Por motivos vários. Muitos e muitas acabam ficando pelo caminho, perdidos em um mundo que se mostra cruel e intolerante à sua existência. Mas o mundo não é assim com todos aqueles que ousam desafiar suas normas?

Trabalho como Agente de Organização Escolar (Secretaria de Educação do Estado de São Paulo) embora no momento esteja prestando serviço junto ao TRE, no Cartório Eleitoral como Auxiliar Requisitada. Gosto de escrever, tenho dois livros publicados, “Tirésias, a dualidade da alma humana”(autobiografia), pela Editora Verso e Prosa e “A volta do Justiceiro”, romance explorando o folclore brasileiro, publicado pela UICLAP. Publico crônicas diariamente em alguns grupos, meu perfil e meu blog… (taniamirandablog.blogspot .com)… sou casada, tenho quatro filhos e dois netos, sendo que minha neta mora comigo desde os três meses de idade…
