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O CICLO DAVIDA

O tempo tem muito de magia. Porque ele não é igual para todos. Um espaço onde várias criaturas convivem, habitam ao mesmo tempo, consegue ser tão díspar quanto aqueles que compartilham o mesmo lugar. É como se vários Universos coexistissem ao mesmo tempo, dividindo o mesmo ambiente e, mesmo assim, sendo tão diferentes…

Existem vidas que duram menos de um dia. Outras, alcançam mais de um século. E, ainda assim, a sensação de cada um é que seu tempo é infinito. A consciência de finitude parece não ser partilhada por nenhum membro de qualquer dos diversos grupos. Quando um elemento vem a fenecer, a surpresa daqueles que ficam é algo que não dá para ignorar. É, talvez, o momento em que estes percebem que a próxima convocação pode ser a sua…

Essa sensação é algo inexplicável. E, felizmente, depois de algum tempo, parece que desligamos uma chavezinha dentro de nosso cérebro e deixamos de pensar sobre isso. Claro, temos consciência de que as areias do tempo correm inexoravelmente através da ampulheta. E quando o ultimo grão de areia finalmente concluir sua queda, será hora de embarcarmos na Nau de Caronte…

Não sabemos quanto tempo realmente possuímos para aqui permanecer. Mas isso, a princípio, não nos incomoda. Porque, em nossa mente, temos a certeza absoluta de que não existe essa tal de “finitude”. Acreditamos, piamente, que após nossa passagem por este plano continuaremos nossa jornada de alguma outra maneira…

Podemos dizer que este é o bálsamo que nos conforta. Cada passagem do planeta em volta da estrela que lhe permite conservar a vida como a conhecemos é uma vitória. Quanto mais avançamos no tempo, mais próximos de encerrar nossa jornada estamos. Mas, quando olhamos para o lado e vemos quantas pessoas não conseguiram avançar conosco, um sentimento dúbio toma conta de nosso ser…

Ao mesmo tempo que sentimos saudades daqueles que seguiram para os Campos Elísios, suspiramos de satisfação por ainda não haver chegado nossa hora de partir. Porque, afinal, todos queremos morar no Paraíso. Mas a ideia de termos que definhar tal merecer tal privilégio realmente não nos atrai…

Claro, a esperança de algum dia nos reunirmos junto àqueles que partiram nos conforta, principalmente quando percebemos que a cada dia que passa nossa reserva pode estar sendo marcada para o minuto seguinte… o dia seguinte… mas realmente não fazemos questão alguma de apressar tal encontro…

Enquanto aqui permanecemos, procuramos fazer nosso melhor, pois nos informaram que, para que possamos pleitear um lugar agradável depois de nossa passagem por aqui, devemos deixar boas obras. O problema é que nossa percepção do que seriam “boas obras” é extremamente elástica. E aquilo que uma pessoa concluiria ser desejável, para outra pode não ser assim tão bom…

Ninguém, em sã consciência, deseja o mal para seus semelhantes. Tudo bem, sempre há uma exceção. Mas, no geral, queremos que todos compartilhem das benesses da vida…

Quando determinada pessoa toma uma atitude condenável para a maioria das outras, é que em sua percepção tal ação irá beneficiar o grupo como um todo. Veja bem, não estou dizendo que tal ocorrerá. Afinal, de boas intenções o inferno está cheio…

O que importa, realmente, é que cada um tenta deixar sua marca através do tempo. Afinal, mesmo acreditando que sua passagem por aqui é apenas parte de um percurso maior, ainda temos a ilusão de que apenas continuaremos a existir enquanto alguém se lembrar de nós…

O Tempo é o Senhor do Mundo. Não há como negociar com Ele. É onipotente. Onisciente? Não faço ideia. Onipresente? Bem, está ao nosso lado a todo instante. E quando este determina que nossa jornada por aqui se encerra, não há como negociar mais alguns minutinhos para nós. A palavra fim simplesmente é colocada na ultima página de nosso romance e seguimos viagem rumo ao desconhecido. E nossa história será lembrada… ou não… por aqueles que aqui permanecerem, até que sua passagem também seja carimbada. Este é o ciclo da vida. E ela continuará, mesmo quando deixarmos de participar desta…

Tania Miranda  –   Brasil  –  21/10/2026

Tania Miranda
Tania Miranda

Trabalho como Agente de Organização Escolar (Secretaria de Educação do Estado de São Paulo) embora no momento esteja prestando serviço junto ao TRE, no Cartório Eleitoral como Auxiliar Requisitada. Gosto de escrever, tenho dois livros publicados, "Tirésias, a dualidade da alma humana"(autobiografia), pela Editora Verso e Prosa e "A volta do Justiceiro", romance explorando o folclore brasileiro, publicado pela UICLAP. Publico crônicas diariamente em alguns grupos, meu perfil e meu blog... (taniamirandablog.blogspot .com)... sou casada, tenho quatro filhos e dois netos, sendo que minha neta mora comigo desde os três meses de idade...

Tania Miranda

Trabalho como Agente de Organização Escolar (Secretaria de Educação do Estado de São Paulo) embora no momento esteja prestando serviço junto ao TRE, no Cartório Eleitoral como Auxiliar Requisitada. Gosto de escrever, tenho dois livros publicados, "Tirésias, a dualidade da alma humana"(autobiografia), pela Editora Verso e Prosa e "A volta do Justiceiro", romance explorando o folclore brasileiro, publicado pela UICLAP. Publico crônicas diariamente em alguns grupos, meu perfil e meu blog... (taniamirandablog.blogspot .com)... sou casada, tenho quatro filhos e dois netos, sendo que minha neta mora comigo desde os três meses de idade...

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