O QUE É PRECONCEITO?
Uma das nossas maiores lutas é contra o preconceito. Pois esse é um sentimento excludente, onde o outro é sempre apontado como “inferior”. Mas como lutar contra algo que está arraigado em nossa psique, em nossa formação moral desde a mais tenra infância? Como lutar contra algo que aprendemos desde nosso berço? Como lutar contra a “tradição familiar”? Não é algo fácil de se fazer…
Para lutarmos contra algo primeiro temos que entender exatamente contra o que estamos lutando. Mas se aquilo contra o qual levantamos nossa bandeira é tão extenso em sua definição que não conseguimos compreender suas reais implicações, tudo se torna muito mais difícil… senão, vejamos…
Exatamente o que é “preconceito”? Afinal, sabemos como nos sentimos em relação a tal sentimento, mas realmente compreendemos sua real definição? Se eu não gosto de determinada etnia sou racista. Mas é apenas isso, mesmo? Na verdade, não. A definição de “racismo” é um pouco mais complexa…
Temos que nos lembrar que um conceito, uma ideia, vai se formando ao longo de gerações. E logicamente não apenas uma ideia, mas várias observações vão se aglomerando em volta da ideia central. E tudo aquilo que fica gravado na psique coletiva tem uma missão específica… proteger o legado familiar. É uma barreira criada pouco a pouco, cuja única finalidade é manter coesa a formação original, combatendo qualquer coisa que ameace destruir essa formação. É um instrumento de defesa…
Tudo bem, como anunciamos aos quatro ventos, ninguém nasce “racista”, vai se formando enquanto caminha pela senda que lhe cabe. Mas este é o problema que não queremos reparar. Se a criança não nasce racista ela teoricamente não está disponível para assimilar tais ideias. Mas as assimila. Porque, estando em um meio onde o racismo flui livremente, aos poucos vai se associando às ideias apresentadas. Mas como tal se dá? Bem, aí fica mais complexo, ainda… é uma ação desencadeada por um sentimento de defesa…
Com certeza você já ouviu uma pessoa notadamente racista dizer “não sou racista. Até tenho amigos…” e aí fala que aquele grupo ao qual determinada conhecida pertence “é isso ou aquilo”… acho que já deu para perceber que não temos nada contra indivíduos, pois estes isolados não oferecem “perigo” para a maneira que pensamos. É quando estão em grupos que se tornam “perniciosos” para nosso núcleo social… e isso não é, de forma alguma, permitido. Afinal, tais ações podem destruir todo um conceito construído a eras…
Sim, temos medo do desconhecido. De grupos desconhecidos. Não importa quais. O indivíduo, não importa a qual grupo pertença, é tolerado em outros núcleos. Ouvirá comentários desabonadores sobre seu grupo. Será tratado como um inferior. Mas, até certo ponto, será tolerado. Porque, como já diz o velho adágio, “uma andorinha só não faz verão”. Um sujeito fora de seu núcleo de origem não oferece perigo porque está isolado… não poderá contar com o apoio dos seus…
É isso que o preconceito faz em seu dia a dia. Como a própria palavra define… pré conceito… um conceito pré definido onde tudo aquilo que não se enquadre em nossa visão significa perigo imediato… e contra qual levantamos nossas barreira de proteção…
E, não. Os grupos aos quais temos ojeriza não precisam ter grandes dimensões. Três ou quatro pessoas de um grupo que consideramos estranha aos nossos conceitos já acendem nosso sinal de alerta…
E como modificar isso? Não é fácil. Teríamos que desconstruir a forma como agimos em sociedade. E porque não é fácil? Porque, a todo instante, tomamos atitudes preconceituosas, e nem percebemos tais falhas. Porque, como eu disse, são mecanismos de defesa social… e esses mecanismos são ativados instintivamente…
Para modificar nossa maneira de pensar e de agir, teríamos que seguir o mais precioso mandamento da maioria dos credos espalhados por nosso pequeno planeta azul… “amai o próximo como a si mesmo”… no dia que conseguirmos seguir tal orientação sem nenhum desvio em nossa conduta, finalmente teremos banido de nossa vida o preconceito e o racismo. Um caminho longo se abre à nossa frente. Não é fácil, não é simples. Mas quando pararmos de julgar nosso semelhante pela balança que recebemos de nossas tradições e passarmos a olhar para este com nossa alma, finalmente teremos retornado ao Paraíso… não fisicamente. Espiritualmente. Pois o Paraiso é aqui. Nós é que não conseguimos visualizá-lo. Pois infelizmente temos olhos mas não conseguimos ver… e entender … o mundo lindo e maravilhoso que existe à nossa volta…
Tania Miranda — Brasil — 19/08/2026

Trabalho como Agente de Organização Escolar (Secretaria de Educação do Estado de São Paulo) embora no momento esteja prestando serviço junto ao TRE, no Cartório Eleitoral como Auxiliar Requisitada. Gosto de escrever, tenho dois livros publicados, “Tirésias, a dualidade da alma humana”(autobiografia), pela Editora Verso e Prosa e “A volta do Justiceiro”, romance explorando o folclore brasileiro, publicado pela UICLAP. Publico crônicas diariamente em alguns grupos, meu perfil e meu blog… (taniamirandablog.blogspot .com)… sou casada, tenho quatro filhos e dois netos, sendo que minha neta mora comigo desde os três meses de idade…
