O QUE EXISTIRÁ DO OUTRO LADO DA CORTINA?
A vida é feita de chegadas e partidas. De idas e vindas. Uma é alegre, festiva. A outra, triste, depressiva. Mas assim é nossa vida. Feita de momentos. Onde intercalamos experiências maravilhosas com momentos dos quais fugiríamos, se tal nos fosse concedido. Mas temos que passar por todo tipo de vivências. Boas e más. Não importa como nos encontramos naquele momento. Importa que temos que vivê-lo…
Quando adultos, sofremos com tal situação. Porém, até pela nossa trajetória até aquele momento, o impacto pode ser absorvido com uma certa aceitação. As partidas sempre serão dolorosas. Mas, como durante nossa caminhada costumamos tropeçar e cair várias vezes, acabamos por nos acostumar com tais percalços. Bem, não é que nos acostumamos. Simplesmente conseguimos absorver melhor os baques que levamos…
Sim, uma partida será sempre triste. Porque, de repente, um rosto amigo deixará de participar de nossa vida. De repente, sem mais nem porque, aquela pessoa deixará de fazer parte de nossa vida. Sim, poderemos cruzar nossos destinos novamente… um dia, quem sabe? Afinal, o futuro é uma incógnita…
Mas há partidas que simplesmente não tem retorno. Nem próximo encontro ainda nesse plano. Porque há viagens cujo retorno não é possível…
Essa viagem é algo que não podemos escolher. Nem dia, nem hora… não podemos escolher uma data específica para ela, porque não somos nós que a determinamos. Simplesmente, quando chega a hora de partir, preparados ou não, devemos iniciar nossa caminhada…
O que nos espera no fim dessa jornada, a qual todos estamos destinados a fazer? Incógnita. Tecemos mil e uma teorias. Pois carecemos de acreditar que nossa caminhada não se encerra no final de nosso ciclo de existência. Simplesmente não aceitamos que, ao cerrarmos nossos olhos pela última vez, tudo se finda…
Acreditarmos ou não em outra vida além desta é que faz a diferença de como percebemos nossa existência enquanto caminhamos por este plano. Porque, se acreditarmos que estamos aqui apenas de passagem, toda a nossa vida ganha uma nova perspectiva. Ela passa a ter sentido, pois sabemos que ao findar nosso ciclo, estaremos vivendo uma nova experiência. E nos encontraremos com aqueles que partiram antes de nós…
Por outro lado, se não nos apegamos a nenhum tipo de crença, se nos atermos apenas à vida que conhecemos e crermos piamente que, ao término de nossa vida neste plano nada nos espera, pois simplesmente não aceitamos a existência do outro lado, a vida perde o sentido. Nada do que fazemos tem uma explicação lógica, tudo passa a ser mecânico. Porque depois que fecharmos nossos olhos pela última vez, o nada será nosso destino…
Nossa crença sobre o outro lado será definida enquanto caminhamos por aqui. Tanto poderemos esperar alcançar o Paraíso como simplesmente acreditamos no final de tudo ao completarmos nossa jornada. Como viveremos durante nosso tempo dependerá da experiência que adquirirmos em nosso dia a dia. Incrível, não é mesmo? Duas pessoas diferentes, duas crenças divergentes… e, no final, um paradoxo… embora seja o mesmo Sol a brilhar no firmamento, cada um interpretará seu brilho de acordo com suas convicções pessoais… para um, a prova de que, após essa vida, haverá um Paraíso à sua espera. Para o outro, aquela estrela que brilha tão intensamente também fenecerá mais dia, menos dia, levando consigo toda criação que se encontra sob sua influência…
No final, não importa em que acreditamos, na verdade. Importa como vivemos enquanto caminhamos por aqui… afinal, de certa forma, depois de nossa partida ainda continuaremos vivos… na memória daqueles que aqui permanecem. E então a maneira que vivemos determinará se continuamos vivos ainda, mesmo que na memória daqueles que caminharam ao nosso lado ou simplesmente seremos apagados de suas existências. Tudo dependerá de como vivemos enquanto estávamos ao seu lado. Tudo dependerá de como éramos vistos por nossos pares…
Ao iniciarmos nossa viagem final teremos como destino o Nirvana? Ou simplesmente o nada, onde o não existir será a realidade que não perceberemos pois não existir significa simplesmente isso? Não sei dizer. Afinal, pessoalmente, acredito em um mundo para onde iremos ao findar nossa caminhada por esse plano… mas essa é a minha crença pessoal, embasada em nada mais além da fé inabalável de que a vida jamais se finda… apenas muda seu status de acordo com a passagem do tempo…
Tania Miranda – Brasil – 29/09/2026

Trabalho como Agente de Organização Escolar (Secretaria de Educação do Estado de São Paulo) embora no momento esteja prestando serviço junto ao TRE, no Cartório Eleitoral como Auxiliar Requisitada. Gosto de escrever, tenho dois livros publicados, “Tirésias, a dualidade da alma humana”(autobiografia), pela Editora Verso e Prosa e “A volta do Justiceiro”, romance explorando o folclore brasileiro, publicado pela UICLAP. Publico crônicas diariamente em alguns grupos, meu perfil e meu blog… (taniamirandablog.blogspot .com)… sou casada, tenho quatro filhos e dois netos, sendo que minha neta mora comigo desde os três meses de idade…
