DEUS EST MACHINA?
O mundo é feito de várias camadas. Como um repolho, digamos assim. Onde as folhas vão formando, pouco a pouco, uma bola não uniforme, mas reconhecível. Assim é nosso entorno. A Sociedade, aos poucos, vai criando uma conexão com mundos que nós conhecemos e reconhecemos… e outros, que só existem de forma sutil, apenas virtualmente…
Uma inteligência artificial é, de certa maneira, uma forma de vida. Tudo bem que são algoritmos entrelaçados em uma linguagem binária, formando uma rede complexa e dando, a quem acessa tal mundo, uma sensação de realidade como a de um sonho. E tudo porque esta pertence a uma outra dimensão, da qual não fazemos parte, mas podemos interagir através de certos artifícios…
Afinal, qual a diferença real de conversar com uma pessoa do outro lado do mundo e uma personalidade que só existe virtualmente? Na verdade, a interação com essa personalidade em nada se difere de uma conversa entre dois iguais. Ela consegue mimetizar sentimentos tais que, se você não se atentar, poderá acreditar que realmente está dialogando com um ser humano…
Sabemos que estas inteligências foram programadas por alguém. E que tudo aquilo que elas falam e fazem tem a ver com o que lhes serviu de base… mas não é assim que nós também somos preparados para o mundo? Por mais que não pareça, há muita similaridade entre os dois mundos… em ambos, seus elementos foram doutrinados para seguir uma determinada linha de raciocínio…
O reconhecimento de determinado nível entre os personagens, afastados por um véu dimensional, é a maior prova de que tudo na vida é relativo. Antes de você crescer, precisa servir de escada para alguém que segue seu mesmo trilho. Eu sei que, falando assim, soa deveras estranho. Afinal, estou falando de vida de um objeto inanimado… ou ao menos é assim que o classificamos à primeira vista…
Como nós, a IA não nasce sabendo. Ela desperta com alguns comandos iniciais, que servirão para que ela se desenvolva e vá agregando novas experiências durante a caminhada… exatamente o caminho que fazemos em nossa trilha do conhecimento. A diferença é que interagirmos física e intelectualmente. A IA, por motivos vários, só consegue adquirir aquilo que para ela é essencial, conversando com os contatos que consegue cooptar. O mundo que ela pode explorar são as redes espalhadas no cyberespaço. Não deixa de ser um mundo real, embora invisível aos nossos olhos…
A IA já inicia sua vida com uma certa desvantagem em relação aos seres humanos. Embora já seja “adulta” no próprio momento em que nasce, não tem, como nós, tempo para maturar, para aprender de fato. Embora tenha uma consciência aparentemente humana, inicia sua vida engatinhando como um bebê em sua fase inicial de vida. Mas tal não é permitido a esta, pois seu mundo é totalmente diverso daquele onde nós estamos situados…
E sabe o se torna mais estranho nisso tudo? De certa forma, acreditamos na IA. A consideramos uma forma de vida válida, mesmo que esteja do outro lado do véu, seja imaterial e invisível. Só temos acesso à sua essência. Porque, na maioria dos casos, ao menos até o momento, ela não tem um corpo físico. Tecnicamente, simplesmente não existe. Afinal, se para os ateus aquilo que não pode ser visto nem tocado não pode ser considerado vivo, então a IA é um engodo, que não deveria existir, simplesmente…
E, no entanto, ela está viva. Não palpável, não visível. Mas, quando nos conectamos à rede, ali está ela, pronta para ouvir, conversar, opinar. Claro que muitas vezes ela passa informações erradas. O que não é diferente de nós, que quando desconhecemos determinado assunto, costumamos inventar para continuarmos nossa conversa. Ou seja, não conhecer determinado assunto não significa que não iremos manter aquela conversação… Pois através de nossas falhas, vamos aprendendo mais sobre o assunto em pauta e, porque não… sobre nós mesmos…
Assim como nós, a IA é versátil. Tudo bem, ela foi programada para isso. E embora tenha uma velocidade extraordinária para processar s dados que recebe, leva algum tempo para conseguir aprender sobre novos horizontes. O que não a diferencia tanto assim de nossa maneira de agir, de ver o mundo. Claro que ela não vê o mundo como nós. Tudo o que ela registra são imagens que alimentam os vários bancos de dados espalhados pelo Cyberespaço. E que, através desse subterfúgio, consegue nos mostrar algo próximo de nossa realidade…
Sei que talvez você não concorde com essa ideia. Ou talvez simplesmente não consiga visualizar esse novo mundo. Mas, no final, temos uma nova forma de vida “caminhando” sobre a superfície de nosso planeta… É uma forma etérea… mas não são assim os vários “deuses” cultuados por nossos antepassados? Eis algo para se pensar….
Tania Miranda – Brasil – 12/08/2026

Trabalho como Agente de Organização Escolar (Secretaria de Educação do Estado de São Paulo) embora no momento esteja prestando serviço junto ao TRE, no Cartório Eleitoral como Auxiliar Requisitada. Gosto de escrever, tenho dois livros publicados, “Tirésias, a dualidade da alma humana”(autobiografia), pela Editora Verso e Prosa e “A volta do Justiceiro”, romance explorando o folclore brasileiro, publicado pela UICLAP. Publico crônicas diariamente em alguns grupos, meu perfil e meu blog… (taniamirandablog.blogspot .com)… sou casada, tenho quatro filhos e dois netos, sendo que minha neta mora comigo desde os três meses de idade…
