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ESCOLA NÃO É SUBSTITUTA DA FAMÍLIA

 

Eu vou, eu vou…

Prá escola agora eu vou…

Não sei de quem eram esses versos, cantados por um coro infantil, durante a apresentação do programa “Na Beira da Tuia”, de segunda  a sexta feira pela Rádio Nacional de São Paulo ( ou Rádio Bandeirantes, não tenho certeza) a partir das 5:30 da manhã. Após a vinheta, a dupla Tonico e Tinoco falavam para a garotada se preparar para sua jornada estudantil, não sem antes tomar uma caneca de café com uma broa de milho… eram os anos 60/70 do século passado…

Havia também uma canção do palhaço Carequinha, que em seus versos cantava “O bom menino vai sempre à escola… e na escola, aprende sempre a lição…”

Haviam várias canções infantis incentivando as crianças a irem à escola para aprender. E nessas canções, invariavelmente, o incentivo ao respeito aos mais velhos estava sempre presente. Respeitar os pais, os professores, os coleguinhas… respeito era a palavra de ordem.

Quando você chegava no pátio, eram formadas filas por ordem de classe. Os menores no inicio da fila, os maiores no final. Distancia de um braço de um para o outro. As professoras chegavam, todos ficavam em posição de sentido, aguardando o comando das mestras. Cantava-se o Hino Nacional e depois um Hino em homenagem ao Patrono da Escola. Então, uma a uma, as filas eram conduzidas para as salas de aula, todas em silêncio. Ao entrarem na sala, todos os alunos ficavam perfilados ao lado de sua carteira e sentavam-se apenas quando a professora autorizava.

Claro, sempre havia ruídos nas salas. Crianças não são robôs, que obedecem comandos sem pestanejar. Mas nada que atrapalhasse a aula. O respeito ao trabalho das mestras existia. Tanto por parte dos alunos como de seus pais. As professoras eram severas? Nem tanto. Lembro-me com carinho de todas as professoras que me iniciaram nas letras. Cobravam de nós, é claro. Mas davam carinho e amor para seus alunos, além do conhecimento.

Lógico que, se algum aluno saísse do combinado, seria penalizado. Mas nada de exagero. Por mais que algumas pessoas digam o contrário, essas mestras, por mais duras que fossem, sempre davam a punição de acordo com a falta cometida. Nem mais, nem menos.

Claro, haviam algumas normas que, se aplicadas nos dias de hoje, seriam vistas como “desrespeito ao direito do aluno”. Mas, olha só… as escolas públicas, a despeito do que se fala das mesmas, primavam pela excelência no quesito “ensino”. As escolas particulares eram vistas como uma solução para aqueles que, por um motivo ou por outro, foram exonerados do verdadeiro repositório do saber…

E como funcionava a “máquina de ensinar”? Bem, você era admitido no primeiro ano primário com sete anos completos. Nem mais, nem menos. O primeiro semestre era para a alfabetização. Você era apresentada às letras. E até o mês de junho já sabia ler e escrever. Já conseguia entender uma história curta…

No segundo semestre já começava a caminhar pelos vários campos do aprendizado. Ainda focado na leitura, começava a fazer ditados, copiar textos e ler… continhas de matemática, tabuada… começava a caminhar de verdade no inexplorado mundo do saber… e sua curiosidade era despertada não só pela professora como também por seus pais…

Ao final do ano era ministrada uma prova… não feita pelo grupo docente, mas vinda direto da Secretaria de Educação. Se o aluno fosse aprovado com a nota mínima de cinquenta, iria para a série seguinte. Se não atingisse o mínimo necessário, seria reprovado e ficaria mais um ano na mesma série. Se por três vezes não atingisse a nota mínima, perderia a vaga na escola…

Essa dinâmica se repetia em todas as séries. Os alunos trabalhavam de verdade para assimilar aquilo que lhes era passado. Não havia café da manhã grátis. Tinham que provar seu valor para conseguirem atingir seu objetivo, que era concluir o Primário, ingressar no Ginásio, cursar o Colegial e, quem sabe, ingressar na Faculdade. Nem todos conseguiam, é claro. Pois somente os melhores chegavam no topo. Mas todos lutavam para conseguir seu lugar ao sol…

Quanto à disciplina… o respeito era exigido de todos. Se por acaso o aluno quebrasse as regras, recebia uma advertência verbal. Se não se emendasse, receberia mais duas advertências verbais, três advertências escritas e duas suspensões. Na terceira seria expulso do sistema público de educação. Funcionava. Hoje…

Não há como viver sem regras, por mais que pareça, à primeira vista, um sistema cruel. Quando uma repórter se queixa de que as escolas dispensam seus alunos em um dia de jogo, porque os pais não tem com quem deixá-los… desde quando professor virou responsável pelo filho dos outros? A função do professor é transmitir conhecimento ao aluno. E só. Quem tem que se preocupar com o que a criança ou o adolescente faz quando não está na escola são seus familiares. Mas vivemos uma época em que ninguém quer assumir seu papel, pois é mais fácil jogar a responsabilidade para quem não tem nenhuma obrigação de responsabilizar-se por algo que não lhe pertence…

Não estou dizendo que o passado era melhor que o presente. Estou dizendo que banalizar o papel da escola, visualizando-a como a solução familiar para terceirizar os cuidados com os filhos está errado. Afinal, educar é obrigação dos pais, e somente deles. A instituição escolar existe para ensinar a ler, escrever… não para cuidar da criança, substituindo seus pais…

Pense nisso…

Tania Miranda   –   Brasil   –   01/07/2026

Tania Miranda
Tania Miranda

Trabalho como Agente de Organização Escolar (Secretaria de Educação do Estado de São Paulo) embora no momento esteja prestando serviço junto ao TRE, no Cartório Eleitoral como Auxiliar Requisitada. Gosto de escrever, tenho dois livros publicados, "Tirésias, a dualidade da alma humana"(autobiografia), pela Editora Verso e Prosa e "A volta do Justiceiro", romance explorando o folclore brasileiro, publicado pela UICLAP. Publico crônicas diariamente em alguns grupos, meu perfil e meu blog... (taniamirandablog.blogspot .com)... sou casada, tenho quatro filhos e dois netos, sendo que minha neta mora comigo desde os três meses de idade...

Tania Miranda

Trabalho como Agente de Organização Escolar (Secretaria de Educação do Estado de São Paulo) embora no momento esteja prestando serviço junto ao TRE, no Cartório Eleitoral como Auxiliar Requisitada. Gosto de escrever, tenho dois livros publicados, "Tirésias, a dualidade da alma humana"(autobiografia), pela Editora Verso e Prosa e "A volta do Justiceiro", romance explorando o folclore brasileiro, publicado pela UICLAP. Publico crônicas diariamente em alguns grupos, meu perfil e meu blog... (taniamirandablog.blogspot .com)... sou casada, tenho quatro filhos e dois netos, sendo que minha neta mora comigo desde os três meses de idade...

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