GILEAD
De tempos em tempos vivemos uma era de extremismo religioso. Não que o mundo fique livre de tal flagelo em algum momento. Sempre, em algum lugar desta nossa Terra tão extensa, há pretensos “escolhidos” que, do alto de sua “relação com a divindade”, expõe leis que geralmente beneficiam apenas a casta dominante. Em alguns momentos ocorre até um paradoxo… mesmo estes não são protegidos pelas normas que impuseram…
Se há algo que o ser humano preza acima de sua vida terrena, é a salvação de sua alma. Por esse objetivo, toma atitudes incompreensíveis, sempre focando no Mundo Além das Cortinas do Templo. E é em nome dessa “vida” que as pessoas cometem as maiores atrocidades… sempre pensando no “bem comum”…
“Desejo salvar minha alma… e a de meus irmãos e irmãs que caminham ao meu lado… mesmo que para isso tenha que tornar sua vida um inferno”. Claro, ninguém fala assim ao tentar “converter” o próximo. Mas, normalmente, acena com as Chamas do Inferno para o possível novo acólito de sua denominação religiosa…
Sim, a principal arma para trazer novos fiéis para sua denominação religiosa, é o medo. Não dessa vida. Mas da outra. Do provável mundo para onde iremos ao cerrar os olhos pela última vez nesse plano…
O principal intuito de uma igreja… de qualquer denominação, de qualquer credo… é dominar o pensamento de seus fiéis. Não importa qual sua filosofia, o que realmente conta para os dirigentes desta ou daquela congregação é ter um grupo de fiéis que se alinhem com as diretrizes básicas da coletividade…
Como praticamente em todo grupo social, o indivíduo não é importante. O que conta é a ideia central, que deve ser defendida a todo custo… se necessário, até mesmo com o sangue de seus seguidores. Pois o pensamento principal, incutido na maioria dos evangelhos, é que o Ser Supremo valoriza o sofrimento de seus seguidores, pois essa é uma prova de amor…
Sim, embora nosso primeiro mandamento seja “sobreviver a qualquer custo”, as igrejas… todas elas… trabalham para quebrar essa nossa convicção. Meu corpo não é importante. Eu não sou importante. Se, para o Grupo sobreviver for necessário meu sacrifício, deverei me entregar por vontade própria… essa é a filosofia das religiões…
O fato de não comungar com tal pensamento faz de mim uma parasita, que não reconhece seu lugar na Sociedade. E, como tal, passo a ser um perigo para a coesão do Grupo. Pois se profiro o que penso, estarei desencaminhando as almas que seguem os ditames impostos por aqueles que detém o Poder nesse Corpo Social…
Sim… a Sociedade tem normas que devem ser seguidas. E mesmo que, à primeira vista, a igreja não faça parte dessas normas, a relação entre elas é mais forte do que pode sonhar nossa vã filosofia. E, quando essa simbiose se sente ameaçada, as Forças Ocultas começam a trabalhar incansavelmente para reverter tal situação…
Não vivemos em um Mundo Laico. Nunca foi. Provavelmente nunca será. O que existe são pequenos focos de resistência contra a agressão que a Humanidade sofre a todo momento, em nome de um deus do amor que prega apenas ódio. Mas estamos cegos para a verdade que se encontra à nossa frente…
Sim, Deus existe. Não, Ele não precisa de nosso sofrimento. Tudo o que Ele deseja é que aprendamos a amar de verdade. No dia em que pusermos em prática o Mandamento Maior que Seu Filho nos deixou, estaremos seguindo realmente Seus Ensinamentos… “Amai o próximo como a si mesmo”… pense nisso…
Tania Miranda – Brasil – 26/06/2026

Trabalho como Agente de Organização Escolar (Secretaria de Educação do Estado de São Paulo) embora no momento esteja prestando serviço junto ao TRE, no Cartório Eleitoral como Auxiliar Requisitada. Gosto de escrever, tenho dois livros publicados, “Tirésias, a dualidade da alma humana”(autobiografia), pela Editora Verso e Prosa e “A volta do Justiceiro”, romance explorando o folclore brasileiro, publicado pela UICLAP. Publico crônicas diariamente em alguns grupos, meu perfil e meu blog… (taniamirandablog.blogspot .com)… sou casada, tenho quatro filhos e dois netos, sendo que minha neta mora comigo desde os três meses de idade…
