RESPEITAR LIMITES
As relações interpessoais são complicadas. Muitas vezes, pequenas ações podem… e são… interpretadas de tal forma, que nem sempre o receptor decifra a mensagem recebida tal e qual o emissor enviou. São os ruídos, tão comuns em nosso Universo, que acabam por dificultar a comunicação entre as pessoas. Faz parte…
Muitas vezes, até sem perceber, nos afastamos de pessoas que classificamos como carentes em demasia. E isso está certo, ao menos do ponto de vista de nosso conforto pessoal. Pois, sem mais nem porque, tais pessoas passam a agir como um disco arranhado, sempre presas em seu mundo pequeno, com uma visão tão estreita daquilo que ocorre ao seu redor, que não percebe a dinâmica da vida…
A primeira sensação que sentem, ao serem colocadas delicadamente à margem de seja lá o que for, é de abandono. Pois as pessoas com as quais sentiam algum tipo de ligação de um momento para o outro simplesmente passam a tratá-las com indiferença. Não de propósito, é claro. Mas por motivos vários, precisam desse espaço que estas acabavam por não permitir. E, sim, elas sentem. Mas essa é a dinâmica da vida. O seu espaço não é, necessariamente, o mesmo que o meu. E nem sempre estamos compartilhando o mesmo campo vibracional. E isso explica porque, algumas vezes, somos postas de lado. É para que nossos pares consigam respirar e concluir as tarefas impostas do dia a dia…
O problema das relações interpessoais é que elas precisam caminhar em mão dupla. De nada adianta que eu tenha carinho por você, se este sentimento não for compartilhado. Se não houver retorno deste, ele simplesmente não existe. Ah, sim… quando falo de carinho, não estou falando de uma relação mais próxima. Não. Esse carinho pode ser aquele que dispensamos a alguém que consideramos “amigo”. Mas, para este, somos apenas “uma conhecida”…
Em nosso dia a dia tratamos as pessoas de acordo com uma escala pessoal de apreço. Quanto mais nossos interesses pessoais coincidirem com os da outra pessoa, mais próximos estaremos desta. Desde que tenha retorno de nossa estima, é claro…
Bem, nem sempre há esse retorno. Porque, muitas vezes, a afeição que dedicamos a uma pessoa não é a mesma que ela pode ter por nós. Nossa importância em sua vida pode ser nula, próxima do zero, em uma escala de zero a cem. E isso é normal. Afinal, cada um tem sua própria vida, onde seus problemas são específicos. E você irá se aproximar daqueles que tem desafios semelhantes aos seus, para encontrar soluções que possam tornar sua resolução mais simples…
O que estou tentando dizer? Muitas vezes nos sentimos sozinhas no meio de uma multidão. Podemos nos sentir solitárias no meio de nosso grupo, pois embora tenhamos um objetivo comum cada um tem suas tarefas. E as vezes a melhor maneira de seguirmos juntos, ombro a ombro, é ficarmos em nosso canto, respeitando a posição de cada um. Se as pessoas que são importantes para nós precisam de espaço, bem… é nossa obrigação deixá-las livres para respirar. Pois somente assim estaremos contribuindo para o crescimento destas. Ficar em seu canto não é se isolar do grupo. É dar sua contribuição para que este possa seguir em frente. Afinal, no final das contas, somos apenas uma peça que movimenta uma máquina maior. E muitas vezes somos apenas um entrave que atrapalha o caminho de pessoas que nos são queridas…
Como eu disse no inicio, o fato de gostarmos de alguém não significa que tenhamos a mesma importância para este que este tem para nós. A pessoa pode até simpatizar com a gente, mas ela tem sua vida, e esta com certeza nada tem em comum com a nossa. Algumas convicções podem até coincidir com nossa linha de pensamento. Mas temos que ter bom senso. E reconhecer quando estamos ultrapassando a linha que delimita a fronteira, onde podemos chegar sem que tenha nenhum tipo de desconforto para ambas as partes. Se percebermos que a luz amarela está acesa, nossa obrigação é recuar. Não significa que estamos abrindo mão de nosso sentimento de amizade e carinho pela pessoa. Significa simplesmente que reconhecemos nossa posição na escala de relevância na vida desta. Respeitar para ser respeitada, essa tem que ser sempre a premissa que controla nossa vida…
Tania Miranda – Brasil – 08/07/2026

Trabalho como Agente de Organização Escolar (Secretaria de Educação do Estado de São Paulo) embora no momento esteja prestando serviço junto ao TRE, no Cartório Eleitoral como Auxiliar Requisitada. Gosto de escrever, tenho dois livros publicados, “Tirésias, a dualidade da alma humana”(autobiografia), pela Editora Verso e Prosa e “A volta do Justiceiro”, romance explorando o folclore brasileiro, publicado pela UICLAP. Publico crônicas diariamente em alguns grupos, meu perfil e meu blog… (taniamirandablog.blogspot .com)… sou casada, tenho quatro filhos e dois netos, sendo que minha neta mora comigo desde os três meses de idade…
