CARÊNCIA
Se tem algo que não gostamos de admitir é que somos carentes de afeto. E não importa o quanto de carinho recebemos daqueles que se encontram ao nosso redor, essa carência continua latente em nosso ser. Claro, disfarçamos esse sentimento de vazio das mais variadas formas. Mas não importa o caminho escolhido, continuamos essa busca incessante por atenção, por amor…
Por favor, não confunda a expressão “amor” usada acima. Infelizmente nos dias de hoje, quando usamos essa palavra tão linda, a interpretação mais comum que as pessoas fazem é de “amor carnal”. Mas não é esse o “amor” que tanto ansiamos. Sim, claro, a atração sexual existe, mas para esta há algumas condições que não são as mesmas para o sentimento em si. Quando sentimos “amar” alguém isso normalmente significa que nos conectamos, de alguma maneira, a essa pessoa. Mas nem sempre essa conexão é de via dupla…
Confuso? Bem, vou tentar explicar de uma maneira simples… há pessoas que, desde o primeiro olhar, nos fazem sentir bem… é como se as conhecêssemos desde sempre. E essa ligação é tão forte, que sentimos sua falta quando não podemos conversar com elas. E porque não podemos? Simples… essa é uma ligação de mão única, onde não há retorno. Não porque tenha algum problema de tráfego. É porque não há convergência de objetivos… metas diferentes, podemos dizer assim…
Para nos relacionarmos com as pessoas há a necessidade de coincidirem ao menos três pontos… atração inicial, simpatia e concordância de ideias. Há outras condições, mas essas três são a base de tudo. Quando conhecemos alguém sentimos identificação imediata, neutralidade ou rejeição…
Se nos identificamos com a recém chegada significa que, ao menos naquele instante, temos algo em comum com esta. E tentaremos, inconscientemente, conservá-la ao nosso lado, pois mesmo ela não tendo essa percepção, tornou-se importante em nossa vida…
Se ela não nos despertou nenhuma reação, significa que não houve identificação. Pode ser que, com a convivência, tal sensação seja despertada. Ou não. Mas, ao menos de inicio, essa pessoa não é importante para nós…
E quando rejeitamos, de imediato, a aproximação de outra pessoa? Acontece. Às vezes, com mais frequência do que seria desejável. Nesse caso não só não houve nenhuma química entre nós… nosso alarme de “cuidado” foi acionado.
Não há explicação lógica para tal acontecer. Claro, sempre tentamos entender nossa psique, nossa alma. Mas tal acontece simplesmente. Olhamos para determinada pessoa e, num segundo, podemos rejeitá-la. Motivos? Todos eles inconscientes, aos quais não temos acesso imediato. Mas seriam, entre outros, algumas características nossas que, refletidas em nosso semelhante, nos mostra aquilo que não gostamos mas que faz parte de nossa formação. É culparmos o espelho por uma falha nossa…
Há várias motivações. Tradição, cultura, preconceito… e uma infinidade de ideias e pensamentos divergentes que nos fazem rejeitar uma aproximação. Claro, o Tempo é o Mestre dos Mestres, e no futuro, depois de conhecer melhor a pessoa em questão, podemos mudar nossa opinião. Ou não. Faz parte da vida…
Sim… podemos nos sentir próximos de alguém, podemos não nos importar se alguém está próximo ou não de nós, assim como podemos simplesmente desejar nos distanciar de uma pessoa. Depende do quão ligadas nos sentimos a essa. E tal ligação não depende de nossa vontade. Pois sentimentos são como aves, livres para voar e pousam onde bem entendem. Sem se importar se o galho onde pousam pode ou não suportar seu peso…
E isso acaba por aumentar nossa carência… um sorriso de alguém que, para nós, é importante. Uma palavra de carinho, mesmo que ao ser proferida, não tenha sido essa a intenção. Pois seremos nós a traduzir o sorriso e a palavra como algo a nos confortar. Ou não. Somos difíceis, não é mesmo?..
Bem… tratemos a todos como desejamos ser tratadas. Pois Amor e Carinho andam de mãos dadas. Se distribuirmos Amor, Amor receberemos de volta. E essa sede de carinho, de nos sentirmos amadas, será saciada. Mesmo que não pela pessoa que idealizamos. Pois Amor não tem rosto. É Amor simplesmente…
Tania Miranda – Brasil – 06/07/2026

Trabalho como Agente de Organização Escolar (Secretaria de Educação do Estado de São Paulo) embora no momento esteja prestando serviço junto ao TRE, no Cartório Eleitoral como Auxiliar Requisitada. Gosto de escrever, tenho dois livros publicados, “Tirésias, a dualidade da alma humana”(autobiografia), pela Editora Verso e Prosa e “A volta do Justiceiro”, romance explorando o folclore brasileiro, publicado pela UICLAP. Publico crônicas diariamente em alguns grupos, meu perfil e meu blog… (taniamirandablog.blogspot .com)… sou casada, tenho quatro filhos e dois netos, sendo que minha neta mora comigo desde os três meses de idade…
