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VAMOS ACORDAR PARA A VIDA

 

Eu queria falar sobre um tema diferente, hoje. Mas, depois de ler algumas anotações, percebi que não estou preparada para tal. Afinal, alguns assuntos requerem um conhecimento mais profundo. Dispensam os “achismos” da vida. Isso posto, deixemos tal assunto para outro momento, em que eu esteja mais inteirada sobre ele…

Por esse motivo, e só por isso, vamos relembrar o passado, novamente… a época em que tudo parecia mais simples… parecia. Afinal, quando somos crianças, tudo é lindo e maravilhoso. Nossos pais são perfeitos e tem o poder mágico de tornar quase todos os nossos desejos em realidade…

Claro que isso é exagero… afinal, quando chegamos à fase adulta e nós é que assumimos os papeis de gerenciadores da família, finalmente passamos a compreender, ao menos em parte, os percalços que nossos genitores passaram para garantir nosso conforto, por mínimo que fosse…

Moro a um bom tempo no mesmo lugar. Desde que meus pais vieram do interior para cá, jamais morei em outro lugar. Poderia dizer que conheço a região como a palma de minha mão. Mas tal não condiziria com a realidade. Porque, por mais paradoxal que pareça, a região onde moro nos dias de hoje não é, de forma alguma, o lugar onde vivi minha infância…

Claro que isso tem a ver com a dinâmica da vida. O mundo está em constante mudança e aquilo que até a pouco tempo era a realidade de determinada área acabou se transformando de tal forma que uma pessoa que por aqui viveu a tempos atrás não conseguiria reconhecer o local nos dias de hoje. Eu, que não saí daqui, não consigo reconhecer…

Esta era uma região cafeeira. E também se criava gado. Ainda há um resquício aqui e ali dessa época. Alguns pés de café resistem bravamente, esparsos pela região. As flores silvestres, tão comuns décadas atrás, são apenas uma lembrança que vai se esmaecendo conforme a passagem do tempo. É como aquelas fotos antigas, que vão se apagando pouco a pouco…

Sempre falo das borboletas que esvoaçavam por aqui… deixavam o mundo colorido com suas cores variadas. E os beija flores, tão comuns na região, hoje só podem ser vistos através de gravuras impressas, pois a muito foram para outras paragens…

As casas, em sua maioria, eram de chão batido, sem piso de nenhum tipo. Somente com o tempo é que os donos das casa foram modernizando suas moradias, rebocando as paredes e fazendo piso de concreto… as mulheres adoraram a novidade. Para conservar o chão sempre limpo e brilhante, não economizavam na cera… a maioria usava um escovão para dar brilho na cera, geralmente a “Parquetina”… ah, sim… as janelas foram outra inovação louvada por todos… a principio as casas não as tinham… foram chegando pouco a pouco…

Essa era uma região rural. E por esse motivo, a criação de animais variados era comum. Galinhas, patos, porcos… para consumo da família. Claro que os porcos eram engordados para a ceia do Natal, as galinhas e os patos, para os finais de semana. Todos os dias, lá pelas três da manhã os galos começavam sua cantoria, anunciando a todos que era hora de levantar para a labuta pela vida…

O transporte público era escasso e caro e o transporte individual, quando tinha, era a bicicleta. Quem não possuía uma tinha que caminhar  cinco, seis quilômetros até seu local de trabalho, levando um embornal com sua marmita… e na volta, outra caminhada…

O Centro era onde a maioria das fábricas se localizavam. Geralmente fundições. Não raro, os peões se acidentavam, se queimando durante o horário de trabalho. Não havia normas de segurança como nos dias de hoje. Nem EPI’s. A proteção com a qual os trabalhadores contavam era apenas a Divina…

E ainda assim, os pais e as mães davam seu melhor para que seus filhos pudessem ter um futuro onde a vida não fosse tão difícil quanto a que eles levavam. A escola era levada a sério… a criança era incentivada a aprender. Seus pais, com o pouco que tinham aprendido em sua infância, sentavam-se junto às crianças e, sob a luz do lampião,  ajudavam na resolução dos problemas que a mestra havia passado para fazer em casa…

Sim, por mais dificuldades que enfrentassem, os genitores procuravam dar para as crianças uma infância feliz. E conseguiam. Pois mostravam aos pequenos um mundo maravilhoso, onde tudo o que era necessário para alcançar o sucesso era fé no amanhã e muita força de vontade para vencer os obstáculos que se apresentassem à sua frente…

Posso dizer com orgulho que tudo o que sei, tudo o que aprendi, devo aos meus pais. Assim como todos aqueles de minha geração. E ao ver o mundo dos dias de hoje, fico me perguntando… onde foi que nós erramos, para estarmos mergulhados no caos como estamos?

Espero em Deus que consigamos reencontrar o rumo e construir um mundo onde a busca pela felicidade seja possível…onde mais que aparências, possamos viver intensamente a vida, dando e recebendo amor daqueles que nos cercam…

Tania Miranda   –   Brasil   –    09/05/2026

Tania Miranda
Tania Miranda

Trabalho como Agente de Organização Escolar (Secretaria de Educação do Estado de São Paulo) embora no momento esteja prestando serviço junto ao TRE, no Cartório Eleitoral como Auxiliar Requisitada. Gosto de escrever, tenho dois livros publicados, "Tirésias, a dualidade da alma humana"(autobiografia), pela Editora Verso e Prosa e "A volta do Justiceiro", romance explorando o folclore brasileiro, publicado pela UICLAP. Publico crônicas diariamente em alguns grupos, meu perfil e meu blog... (taniamirandablog.blogspot .com)... sou casada, tenho quatro filhos e dois netos, sendo que minha neta mora comigo desde os três meses de idade...

Tania Miranda

Trabalho como Agente de Organização Escolar (Secretaria de Educação do Estado de São Paulo) embora no momento esteja prestando serviço junto ao TRE, no Cartório Eleitoral como Auxiliar Requisitada. Gosto de escrever, tenho dois livros publicados, "Tirésias, a dualidade da alma humana"(autobiografia), pela Editora Verso e Prosa e "A volta do Justiceiro", romance explorando o folclore brasileiro, publicado pela UICLAP. Publico crônicas diariamente em alguns grupos, meu perfil e meu blog... (taniamirandablog.blogspot .com)... sou casada, tenho quatro filhos e dois netos, sendo que minha neta mora comigo desde os três meses de idade...

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