ainda vivemos em 1984…
Já parou para pensar, alguma vez, em como vivemos em um mundo onde a diversidade não é reconhecida, mas existe de fato? Em como a forma que as pessoas percebem o mundo ao seu redor é tão díspar que, muitas vezes, ficamos sem entender como tudo ainda funciona, mesmo com todas essas diferenças?
Cada grupo social tem suas regras, suas tradições. Mas mesmo nesses grupos que, teoricamente, seguem a mesma cartilha, há uma profusão de ideias tais que, em um primeiro momento, não fazem sentido algum para um observador que não faça parte de tal comunidade…
Claro, a primeira divergência é sempre política. Cada personagem acredita ter a melhor fórmula para que tudo dê certo quanto à administração da comunidade da qual faz parte. E para isso evoca usos e costumes de eras passadas, onde haviam os “ungidos”, aqueles que eram escolhidos por divindades e passagem a representar estes “deuses” na condução de seus adeptos…
O problema é que, quando determinada pessoa era “ungida”, recebendo autoridade para guiar “seu povo”, passava a dominar não só seus acólitos como também aqueles que divergiam de sua ideia de como controlar a vida social daquele grupo. Alguns indivíduos passariam a se tornar proscritos por não concordarem com as diretrizes do líder em questão…
A segunda divergência é a religiosa. Eu digo segunda porque esta depende, em parte, do sistema de controle social vigente pelo grupo político que se encontra no poder. Os líderes religiosos geralmente estão alinhados com seus correspondentes políticos, pois um não consegue manter seu controle sobre o povo sem o auxílio do outro…
E a visão religiosa realmente parece uma torre de babel, onde se não houver uma dinâmica que aprove determinado grupo como o principal, todos acabarão seguindo por tantos caminhos divergentes que, no final, ninguém se entenderia. Mesmo da forma que se define como seguir as várias linha de filosofia (sim, a religião é parte da filosofia, mesmo que algumas pessoas não tenham se atentado a isso), se não houver um controle central, chegará um momento em que ninguém se entenderá realmente, pois cada um seguirá a sua visão de vida, não se importando em como os outros veem o Universo à sua volta…
Talvez esse seja o maior pecado da Humanidade… calar o íntimo de cada indivíduo, forçando-o a seguir uma diretriz que nem sempre faz sentido para este. Por outro lado, se tal não for imposto, as divergências serão tantas que chegará um momento em que o mundo ficará ingovernável…
O Controle Social não existe por um capricho de alguém. Existe porque, se não houver uma diretriz clara para servir de referência, tudo se tornará um caos. Não que o caos não exista em nosso dia a dia… mas pelo menos é controlado. Claro que cada segmento social tende a exigir uma parte maior do butim que é tomado da massa, mas apenas aqueles que seguem o “ungido” tem direito a uma fatia maior da pilhagem…
E porque isso é aceito? Pela diversidade de pensamento. Por um sistema que reconhecemos como “democracia”. Mas essa premissa existe em todos os tipos de governo, mesmo que mudem a nomenclatura. Pois, no final, tudo o que fazemos em realidade é tentarmos escolher aquele líder que será menos pior no comando de nossa vida. E se conseguirmos ao menos respirar durante esse ou aquele governo, podemos nos sentir felizes e satisfeitos. Pois conseguimos sobreviver às imposições das Leis não Escritas das Tradições. Que existem para dar uma diretriz a determinado grupo. Que tentará impingir estas aos outros. Porque, para os seguidores desta ou daquela vertente, sua visão é a que salvará o mundo ao seu redor. Porque a diversidade não é importante. O que importa é a sobrevivência do Ente Social, formado pelos diverso grupos com ideias tão divergentes que é uma incongruência se unirem em volta de determinado projeto. Pois a maioria com certeza não terá nenhum benefício no final da jornada…
Mas não é o que você irá ganhar no final da corrida, e sim o que o Grupo conseguirá realizar. Porque, no final, não é o indivíduo que importa. É apenas a
Grande Entidade que conhecemos por Governo Dominante que realmente precisa ser preservada. Por quem? Por todos nós. Por quê? Não fazemos a menor ideia. Simplesmente nos incutiram da missão de cuidar do “bem Maior” e, mesmo não entendendo o que tal conceito pretende dizer, seguimos tais diretrizes mecanicamente, pois foi para isso que fomos programados. Há como fugir de tal estado? Não sei dizer. O que podemos concluir é que o mundo distópico de George Orwell continua atuante em nosso meio…
Tania Miranda – Brasil – 27/07/2026

Trabalho como Agente de Organização Escolar (Secretaria de Educação do Estado de São Paulo) embora no momento esteja prestando serviço junto ao TRE, no Cartório Eleitoral como Auxiliar Requisitada. Gosto de escrever, tenho dois livros publicados, “Tirésias, a dualidade da alma humana”(autobiografia), pela Editora Verso e Prosa e “A volta do Justiceiro”, romance explorando o folclore brasileiro, publicado pela UICLAP. Publico crônicas diariamente em alguns grupos, meu perfil e meu blog… (taniamirandablog.blogspot .com)… sou casada, tenho quatro filhos e dois netos, sendo que minha neta mora comigo desde os três meses de idade…
