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A SOLIDÃO É NOSSA COMPANHEIRA INSEPARÁVEL

Uma das nossas maiores lutas é a afirmação de identidade. Estamos a todo instante tentando provar para aqueles que caminham ao nosso lado quem somos, verdadeiramente. Algumas vezes essa atitude é discreta, em outras, simplesmente gritamos a plenos pulmões, tentando validar nosso “eu verdadeiro”…

Seria justificável, não fosse por um pequeno detalhe… embora o alvo de nossa luta pareça ser o próximo, na verdade estamos tentando convencer a nós mesmos… e por que? Simples… quando você tem absoluta certeza sobre alguma coisa, não sente necessidade de se provar a ninguém…

Essa discrepância entre como nos identificamos e como as pessoas realmente nos percebem pode causar traumas, muitas vezes irrecuperáveis. Claro que apenas uma pequena parcela acaba por ficar na beira do abismo, e uma parcela menor ainda termina por cair no precipício… não sem antes pedir ajuda, que acaba nunca chegando…

O que não percebemos em nossa luta diária contra os moinhos de vento é que nossa luta é solitária… ninguém, além de nós mesmos, pode dimensionar o tamanho de nossa frustração por não sermos vistas como gostaríamos… afinal, mesmo que no meio de nossas iguais, ao repararmos com atenção aos detalhes, descobrimos que os interesses destas não são exatamente os nossos…

Cada pessoa é um Universo a parte. E não conseguimos fugir dessa casca que nos envolve como se uma couraça fosse… é, de certa forma, a nossa proteção… é nesse isolamento que acabamos fazendo parte de grupos fictícios, cuja unidade existe apenas em nossa imaginação…

Meio estranho se expressar assim, não é mesmo? Afinal, pertencemos a vários grupos desde o momento em que chegamos nesse plano. Mas… será que pertencemos mesmo? Ou é apenas uma ilusão criada por nossa mente para deixar-nos confortáveis? Afinal, o mundo é cruel…

Uma das provas de que realmente não estamos inseridos em nenhum grupo é o fato de não podermos prever as ações de nossos pares. Isso explica por que tantos incidentes acabam ocorrendo, muitas vezes com desfecho fatal… pois em alguns casos apenas esse tipo de desfecho valida, na mente de determinada pessoa, quem ela é…

Complicada, a vida… afinal, para que você reconheça o “eu” que habita meu íntimo me força a tomar atitudes questionáveis, muitas vezes sem possibilidade de voltar ao ponto inicial. Mesmo porque toda atitude que tomamos gera consequências. Se boas ou más, depende do julgamento de nossos pares…

Isso acaba por causar um novo paradoxo… afinal, eu vivo sozinha no meio da multidão, mas ao mesmo tempo necessito que esta valide minhas ações. Pois sem isso não tem nenhum sentido qualquer atitude que eu tomar. Estranho tal pensamento, não é mesmo?…

Claro, muitas vezes agimos em conjunto em busca de um objetivo comum. Que não é tão comum assim, em nosso íntimo. Pois em verdade, o que desejamos alcançar no final de nossas lutas é algo que satisfaça nossa necessidade e não necessariamente a dos outros membros do grupo…

Nossas parcerias são de oportunidade. O altruísmo que por vezes parece fazer parte de nosso objetivo muitas vezes ocorre por acaso. E, quando tomamos uma atitude para preservar um grupo, uma ideia, em detrimento de nossa própria segurança… bem, por mais que pareça um gesto heroico, de heroísmo nada teve… foi simplesmente um reflexo momentâneo… em outras circunstâncias, jamais aconteceria…

No final das contas, a luta que travamos diariamente é contra nós mesmos. Tudo aquilo que percebemos ao nosso redor é o reflexo de nosso mundo interior. Quanto mais escuro for nosso íntimo, mais desordem perceberemos ao nosso redor. Quanto mais iluminada nossa Alma estiver, mais capacitados estaremos para perceber as belezas que nos cercam… novamente, o paradoxo em ação…

Viver não é fácil. Nunca foi. Pois a maioria dos seres pensantes deste plano precisam se provar a todo momento. E essa necessidade somente se dissipa quando finalmente entendem quem realmente são. É quando estão preparados para viver em toda sua plenitude. Pois finalmente entenderam que sua vida é solitária, mesmo que no meio de uma multidão… e que todos nós, sem exceção, partiremos desse plano da mesma maneira que chegamos e vivemos… sozinhos. Como contribuímos para o bem estar daqueles que gravitam ao nosso redor é que fazem a diferença em nossa solidão…

Tania Miranda – Brasil – 24/03/2026

Tania Miranda
Tania Miranda

Trabalho como Agente de Organização Escolar (Secretaria de Educação do Estado de São Paulo) embora no momento esteja prestando serviço junto ao TRE, no Cartório Eleitoral como Auxiliar Requisitada. Gosto de escrever, tenho dois livros publicados, "Tirésias, a dualidade da alma humana"(autobiografia), pela Editora Verso e Prosa e "A volta do Justiceiro", romance explorando o folclore brasileiro, publicado pela UICLAP. Publico crônicas diariamente em alguns grupos, meu perfil e meu blog... (taniamirandablog.blogspot .com)... sou casada, tenho quatro filhos e dois netos, sendo que minha neta mora comigo desde os três meses de idade...

Tania Miranda

Trabalho como Agente de Organização Escolar (Secretaria de Educação do Estado de São Paulo) embora no momento esteja prestando serviço junto ao TRE, no Cartório Eleitoral como Auxiliar Requisitada. Gosto de escrever, tenho dois livros publicados, "Tirésias, a dualidade da alma humana"(autobiografia), pela Editora Verso e Prosa e "A volta do Justiceiro", romance explorando o folclore brasileiro, publicado pela UICLAP. Publico crônicas diariamente em alguns grupos, meu perfil e meu blog... (taniamirandablog.blogspot .com)... sou casada, tenho quatro filhos e dois netos, sendo que minha neta mora comigo desde os três meses de idade...

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