REQUIÉM
Não existe dor maior que a despedida de alguém que amamos. Não importa como foi a partida, o vazio que fica em nossa alma jamais será preenchido. De repente, o riso, os gritos, a conversa amiga, as discussões… tudo aquilo que fazia parte da personalidade deste alguém se finda, se perde no espaço. A dor maior é sabermos que não mais contamos com a presença desta pessoa em nossa vida. Porque ela se foi. Partiu deste plano e jamais retornará.
E enquanto em vida, quanta coisa repartimos com esta… alegrias, tristezas, pontos de vista diferentes, que faziam com que às vezes discutíssemos. Quantas e quantas vezes não passamos horas, às vezes dias, sem conversar com este alguém por motivos fúteis, mas que na hora pareciam tão importantes?
Sim, vivemos cada minuto como se eternos fôssemos. A partida desta para outra realidade jamais é aventada por quem quer que seja. Porque este é um assunto “proibido”, e ninguém jamais o menciona. É como se, ao nos negarmos a pensar sobre isso, tal jamais ocorresse.
O carinho que recebemos das pessoas que amamos é um tesouro inestimável. E dentro de nossas possibilidade, retribuímos o amor que recebemos. Lembre-se, há vários tipos de amor. O mais comum, o filial. Que nem sempre é dedicado aos nossos genitores, mas sim àqueles que nos acolhem, nos conduzem pela estrada da vida, nos orientam. Não são nossos pais biológicos, mas são nossos pais de fato.
Até pela proximidade que temos com estes, haverá dias de paz celestial e dias em que o inferno reinará em nosso meio. Porque todos nós temos nossas convicções e muitas vezes queremos fazer valer nossa opinião, que normalmente não coincide com a de nossos pares.
O fato de muitas vezes discordarmos de nossos entes queridos não diminui o sentimento que a eles dedicamos. Somos humanos e tal atitude, por mais cruel que possa parecer, faz parte de nossa índole. Brigar e passar algum tempo “de cara virada”, como se costuma dizer, não significa que deixamos de amar tal pessoa. Porque, embora vivamos constantemente em querela com esta, ela é importante em nossa vida.
Passamos a perceber o quanto esta faz falta em nossa vida quando, por uma fatalidade do destino, a mesma fica adoentada e passa a exigir cuidados especiais de nossa parte. A angustia de pouco podermos fazer, o medo de perder esse alguém, faz com que a dor que sentimos se amplie. Porque temos medo. E o pior… não podemos demonstrar tal medo à pessoa que cuidamos… pois há o risco de a deixarmos ainda mais fragilizada do que já está.
Mesmo quando temos certeza de que a partida já é iminente, a esperança ainda teima em nos mostrar possibilidades às quais nos agarramos com unhas e dentes. Pois deixar a pessoa partir não é uma opção. Pois quando tal acontece, uma pequena parte de nossa alma se vai junto com esta.
Mas a Inominável tem sua missão. E quando as Areias do Tempo se esgotam na Ampulheta que determina nossa estada nesse plano, ela vem nos buscar e nos acompanha até o Cais, onde embarcaremos rumo a Hades. E quando Caronte nos recebe em sua nau, sabemos que não haverá volta. Todos partiremos um dia. Não há como escaparmos deste Destino. Mas até o dia em que nossa hora finalmente chegar, prantearemos aqueles que se foram antes de nós…
Não neguemos Amor às pessoas que amamos. Procuremos sempre dar mais do que recebemos. Porque não sabemos quando será o último alento. Porque não sabemos se estaremos ao lado destas daqui a alguns segundos… e aquele abraço que nos recusamos a dar para esse alguém irá nos machucar ao nos recordarmos que, ao invés de carinho, ofertamos palavras duras a este. Em vez de um sorriso de acolhimento, um olhar de reprovação. E, de repente, tudo deixará de ter valor, pois esta não mais cruzará nosso caminho… e a nós, que aqui permanecemos, restará apenas o vazio deixado por quem partiu para não mais voltar…
Tania Miranda – Brasil – 09/06/2026

Trabalho como Agente de Organização Escolar (Secretaria de Educação do Estado de São Paulo) embora no momento esteja prestando serviço junto ao TRE, no Cartório Eleitoral como Auxiliar Requisitada. Gosto de escrever, tenho dois livros publicados, “Tirésias, a dualidade da alma humana”(autobiografia), pela Editora Verso e Prosa e “A volta do Justiceiro”, romance explorando o folclore brasileiro, publicado pela UICLAP. Publico crônicas diariamente em alguns grupos, meu perfil e meu blog… (taniamirandablog.blogspot .com)… sou casada, tenho quatro filhos e dois netos, sendo que minha neta mora comigo desde os três meses de idade…
