VAMOS CUIDAR DE NOSSAS CRIANÇAS
Criança feliz, feliz a cantar
Alegre a embalar seu sonho infantil…
Esses dois versos são o início da “Canção da Criança”, escrita por Francisco Alves e René Bittencourt, cujo tema é a exaltação da felicidade esperada na primeira infância. Pena que ontem, como hoje, nossas crianças não consigam viver sua meninice como deveriam… e merecem…
O problema maior é que vivemos uma eterna Roda Viva, um Círculo Vicioso do qual é difícil escaparmos. Porque replicamos com nossos pequeninos aquilo que vivenciamos em nossa própria infância… e o que é pior? Não é algo proposital…
Ainda nos dias de hoje… ou principalmente nos dias de hoje… apenas uma pequena parcela de nossas crianças tem o sagrado direito à Felicidade respeitado. Pois são violentadas de várias formas por nós, que já deixamos essa fase de nossa vida há um bom tempo…
Desde que pisamos neste mundo… ou seja, desde que a Raça Humana começou a habitar esse planeta… as crianças foram vistas como nossa própria continuação. Nossa imortalidade depende de nossa prole, pois nos perpetuamos nessas criaturinhas que, um dia, replicarão tudo aquilo que lhes passamos…
Deveríamos tratá-las não como uma peça frágil, mas como o que elas são realmente… um broto de nossa árvore genealógica, cujos frutos futuros darão continuidade à nossa história. Deveríamos cuidar desses brotos com muito carinho, com muito amor… para que elas pudessem dar amor aos brotos que teriam origem a partir destas…
Infelizmente, por motivos mil, não é isso o que ocorre em nosso dia a dia. Mesmo criando várias Leis que protegeriam, em tese, os adultos do amanhã, não é isso o que realmente ocorre na privacidade do lar…
Há várias formas de maltratarmos alguém. A mais simples… e a mais despercebida… é o abandono parental. Um detalhe… não estou falando do “abandono parental” conforme a Lei determina. Nem sempre o fato de alguém estar ao seu lado significa que você está recebendo a atenção necessária. E esse abandono… parental, porque os responsáveis pela criança estão ao seu lado, ao menos fisicamente… se deve mais à dinâmica da vida moderna que propriamente um desejo de seus genitores…
Para se manter uma casa… não propriamente um lar… faz-se necessário ter dinheiro. Pois esse é que possibilitará a aquisição de tudo aquilo que necessitamos para sobreviver. E para conseguir o vil metal, precisamos trabalhar. E, como os preços são um absurdo atualmente, os dois genitores tem que deixar seu rebento sozinho em sua casa para conseguir o sustento que necessitam. Trabalham no mínimo cinco dias por semana… alguns chegam a trabalhar seis sete dias… para conseguirem garantir o suficiente para as despesas da família. E a criança acaba sozinha, vendo seus genitores muito raramente. Passear com estes torna-se um luxo do qual nem sempre consegue dispor…
Por mais que digamos que tudo o que fazemos é por nossos pequenos, tal nem sempre corresponde à realidade. Sim, procuramos suprir suas necessidades básicas. Mas suas necessidades de carinho, de amor acabam, muitas vezes, esquecidas nos recônditos de nossas mentes… porque há certas tarefas que pedem atenção imediata de nossa parte. E aí…
Quando a criança, cansada de ser esquecida em um canto como se uma boneca de pano fosse e protesta contra tal situação, nossa “formação familiar” aflora em nossa mente e damos a ela exatamente aquilo que nossos pais nos deram no passado… e é quando a situação se torna…pesada…
Dificilmente tentamos ver o lado da criança. Criamos nossas expectativas sobre esta e cobramos da mesma o cumprimento daquilo que achamos que ela deve fazer. Simples assim. Sem direito a recusar, pois esta não tem discernimento para decidir o que pode ou não fazer… e quando não o faz, rotulamos como má educação, falta de respeito… e tal e qual nosso passado, aplicamos-lhe castigos… muitas vezes, físicos…
Como mudar esse estado de coisas? Não é através de Leis, pois estas acabam por se mostrarem ineficazes. O verdadeiro caminho é a conscientização de cada um… que procuremos dar aos nossos pequenos apenas Amor… Amor verdadeiro. Temos que quebrar a corrente que nos prende ao passado. Deixar os maltratos recebidos na infância perdidos na escuridão do esquecimento. Repliquemos apenas os momentos felizes que tivemos, para que nossas crianças realmente possam ter uma infância feliz e que possam, assim, construir um futuro onde apenas o Amor e a Alegria imperem. E assim, com certeza, alcançaremos a Verdadeira Paz Mundial tão sonhada e desejada por todos…
Tania Miranda – Brasil – 02/10/2026

Trabalho como Agente de Organização Escolar (Secretaria de Educação do Estado de São Paulo) embora no momento esteja prestando serviço junto ao TRE, no Cartório Eleitoral como Auxiliar Requisitada. Gosto de escrever, tenho dois livros publicados, “Tirésias, a dualidade da alma humana”(autobiografia), pela Editora Verso e Prosa e “A volta do Justiceiro”, romance explorando o folclore brasileiro, publicado pela UICLAP. Publico crônicas diariamente em alguns grupos, meu perfil e meu blog… (taniamirandablog.blogspot .com)… sou casada, tenho quatro filhos e dois netos, sendo que minha neta mora comigo desde os três meses de idade…
