ArtigosCritica SocialCulturaDireitoEducaçãoPoliticaSaúdeSocial

TEMPO

O tempo é algo efêmero. E ao mesmo tempo, eterno. É um paradoxo. Afinal, o que agora é, daqui a pouco será… e de repente, simplesmente sumirá… deixará de existir, não será possível visitá-lo, nem mudar seu destino… pois já não mais existe na linha do tempo…

Estranho pensar assim. Afinal, como é que o homem pode ser tão volátil? Mas assim é. Num momento, estou do seu lado. No outro, simplesmente desapareço…

Claro que o processo não é tão rápido assim. Há algumas etapas a cumprir. Mas se considerarmos que o tempo anda de forma diferente para diferentes formas de vida, aquilo que para nós parece ser um átimo de segundo para o próprio tempo pode levar uma eternidade para se cumprir. Afinal, uma formiga deve ter uma percepção de tempo diferente de nós, não é mesmo?…

Essa diferença na percepção do tempo pode ser percebida em nosso dia a dia, dependendo da situação que enfrentarmos. Se estamos em um momento tranquilo, feliz, a impressão que temos é que o tempo simplesmente voa. A sensação de bem estar ajuda a fazer o tempo rolar mais depressa que gostaríamos. De repente tudo se finda, e a vida volta à monotonia de sempre…

Se atravessamos uma situação estressante, tudo se torna mais lento. Os milissegundos parecem ter duração de horas… quanto mais complicada a situação enfrentada, mais o tempo se arrasta. Bem, aí há outro paradoxo… se a situação estressante em curso tiver a ver com algum evento catastrófico a ocorrer e estivermos encarregados de uma ação para impedi-lo… bem, aí o tempo parece voar… uma hora parece ter a duração de minutos…

Há algum tempo atrás assisti um seriado que tratava justamente da volatilidade do tempo… Um avião foi pego por um desvio dimensional e acidentalmente foi lançado em um período do passado. O problema é que este Universo, por já ter cumprido seu papel na linha da vida,  estava sendo apagado da existência. Se a tripulação e os passageiros não conseguissem sair daquele lugar e encontrar a passagem para o presente que deveriam viver, acabariam apagados junto com aquele mundo onde se encontravam…

De certa forma é isso o que acontece com os momentos já vividos… somos lançados sempre à frente, sem chances de recuar. Temos apenas o presente em nossa vida, e esse muda constantemente. E nesse processo não temos controle algum. Claro que fazemos planos para os momentos que estão por vir. Mas isso não é garantia de que poderemos alcançar nossos objetivos…

Estamos sempre vivendo o presente, não importa o momento que estamos. O fluxo temporal não nos permite visualizar o amanhã… tudo que nos é permitido é imaginar como tal poderia ser. Mas imaginar, por mais próximo que cheguemos da realidade, não é a mesma coisa…

Não temos controle sobre nada em nossa vida… afinal, não temos como saber o que acontecerá daqui a cinco minutos… que dirá daqui a um dia, uma semana, um mês… por mais que nos preparemos, há muitas variantes que podem nos desviar de nossos objetivos…

Podemos alcançar aquilo que planejamos, é claro. E esse é outro paradoxo. Afinal, mesmo vivendo no caos que é o tempo, quando nos fixamos em um objetivo, temos sempre uma chance de atingi-lo. Sempre nos lembrando que enfrentaremos três possibilidades, a contar…  conseguir o que desejamos, não alcançar o objetivo por motivos que nos escapam o controle ou simplesmente tudo permanecer na mesma, onde não saímos nem derrotados nem vitoriosos…

Ah, sim… a terceira alternativa não tem nada a ver com imobilidade. Claro que, se você não tomar nenhuma atitude, tudo permanecerá exatamente como está… bem, não é bem assim, pois o tempo é dinâmico e mesmo que você não perceba, haverá mudanças não só em você mas também em seu redor… quanto à observação anterior, o que eu quis dizer é que mesmo você tomando uma atitude, o resultado tanto pode ser positivo como negativo, ou simplesmente nada ocorrer… e esse é, de certa forma, um paradoxo, pois é sempre esperado que tenhamos em resposta um “sim” ou um “não”…

No final, o próprio conceito de “passado” e “futuro” não deixam de ser paradoxos… afinal, sem o presente para mensurá-los, tais conceitos deixariam de existir, mesmo que fisicamente estes não existam para nós… estamos sempre vivendo o presente, sem acesso ao que passou, sem controle ao que virá…

Tania Miranda   –    Brasil   –   23/03/2026

Tania Miranda
Tania Miranda

Trabalho como Agente de Organização Escolar (Secretaria de Educação do Estado de São Paulo) embora no momento esteja prestando serviço junto ao TRE, no Cartório Eleitoral como Auxiliar Requisitada. Gosto de escrever, tenho dois livros publicados, "Tirésias, a dualidade da alma humana"(autobiografia), pela Editora Verso e Prosa e "A volta do Justiceiro", romance explorando o folclore brasileiro, publicado pela UICLAP. Publico crônicas diariamente em alguns grupos, meu perfil e meu blog... (taniamirandablog.blogspot .com)... sou casada, tenho quatro filhos e dois netos, sendo que minha neta mora comigo desde os três meses de idade...

Tania Miranda

Trabalho como Agente de Organização Escolar (Secretaria de Educação do Estado de São Paulo) embora no momento esteja prestando serviço junto ao TRE, no Cartório Eleitoral como Auxiliar Requisitada. Gosto de escrever, tenho dois livros publicados, "Tirésias, a dualidade da alma humana"(autobiografia), pela Editora Verso e Prosa e "A volta do Justiceiro", romance explorando o folclore brasileiro, publicado pela UICLAP. Publico crônicas diariamente em alguns grupos, meu perfil e meu blog... (taniamirandablog.blogspot .com)... sou casada, tenho quatro filhos e dois netos, sendo que minha neta mora comigo desde os três meses de idade...

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *