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SEM ESPERANÇA NADA TEMOS….

O ser humano é belicoso por natureza. Não é opinião, é constatação. Basta olharmos ao nosso redor para confirmar tal afirmação. É doloroso reconhecer, eu sei. Mesmo com todas as salvaguardas que recebemos desde nosso primeiro vagido, há momentos em que a fúria explode… e nem sempre compreendemos o motivo…

Qualquer coisa… qualquer coisa, mesmo, serve de gatilho para que um grupo pacífico de repente se torne uma turba furiosa. E a lógica de tal atitude nem sempre é compreendida. Pois, aos olhos de quem assiste tal explosão, nada justifica o que está ocorrendo naquele momento. Claro que nada acontece espontaneamente, sempre há um rastilho que foi aceso anteriormente…

Nosso maior problema é não reconhecer de pronto o quanto somos influenciáveis pelo que ocorre ao nosso entorno. E, ao nos deparar com algo que a principio não compreendemos, tal nos causa estranheza e até mesmo incômodo…

Já parou para pensar por que determinadas palavras, não importa onde estão inseridas, nem em qual contexto, te deixam desconfortável? De repente tais expressões tomam forma de uma ofensa… é como se aquilo estivesse direcionado a você, mesmo que não esteja…

Você se identificar ou não com determinadas ideias não significa que tenha que sentir-se bem ou mal por elas. Sua visão é única e, mesmo que assim o deseje, não há como compartilhar com outras pessoas… ou seja, o tal incômodo pertence a você, e somente a você…

Mas o que isso tem a ver com o inicio do texto? Tudo… e nada…

Normalmente, ao ler determinado texto onde se fala de grupos que passam a agir como se fossem personas autônomas, onde seus integrantes perdem a individualidade para permitir que o grupo tome determinadas ações, muitas vezes condenáveis, sua visão de vida pode não concordar com tal definição… “todos” os participantes são co-responsáveis pelo que ocorre durante os eventos em questão, ao mesmo tempo que nenhum deles está, realmente, ciente do que ocorre…

Você simplesmente não aceita o fato de que um grupo é, como a própria palavra já diz, um agrupamento de pessoas ao redor de uma ideia. E, sim… todos comungam juntos, para o bem ou para o mal… há dissidentes? Sempre há. Mas enquanto permanecerem no grupo farão parte do todo… e, juntos, gostando ou não, serão responsáveis pelo que o grupo realizar…

Temos vários exemplos espalhados ao longo da história. E mesmo nos dias atuais. Ou seja, para confirmar tal assertiva basta prestar atenção no que ocorre ao nosso redor. “Ah, mas nem todo mundo age de forma beligerante”… concordo plenamente. Mas quando você se torna um espectador passivo passa a ser cúmplice daqueles que agem contra os princípios da civilização…

Vamos usar um exemplo… você está inserida em um grupo onde conhece aqueles que atentam contra as normas civilizatórias. Sabe que determinada parcela age contra tudo aquilo que a Sociedade considera correto. Sabe que esta já causou mal a vários membros de outros locais. E ainda assim se cala. Por motivos vários. Bem… considerando que nossa primeira premissa é nos manter seguros… cuidar  de nossa sobrevivência… você está coberta de razão. Afinal, nossa segurança pessoal vem em primeiro lugar. Mas… e sempre tem um mas… isso te exclui do conjunto em questão? A resposta é simples… não. Ao se calar quanto as atividades beligerantes do referido grupo você se torna cumplice e, de certa forma, responsável pelas ações do mesmo. Infelizmente, passa a fazer parte de “todo mundo”…

E é justamente essa a parte que te deixa desconfortável. Porque você não participou das ações em questão. Então, como pode ser incluída, se não tomou nenhum partido? É justamente esse o ponto. Você não tomou nenhum partido. Poderia ter sido uma voz ativa, procurando meios para neutralizar as ações daquela parcela do grupo em questão. E não o fez…

A vida é complexa. O mundo nos força a tomar decisões, e nem sempre estamos preparadas para tal. As coisas mudarão no futuro? Quem sabe? Tudo o que nos resta é acreditar que nossos descendentes serão melhores que nós e que virá o dia em que não mais grassará a violência sobre a face da Terra. Afinal, a Esperança é a última que morre, não é mesmo? E sem Esperança, o que nos resta nesse mundo? Nada…

Tania Miranda   –    Brasil    –     04/03/2026

Tania Miranda
Tania Miranda

Trabalho como Agente de Organização Escolar (Secretaria de Educação do Estado de São Paulo) embora no momento esteja prestando serviço junto ao TRE, no Cartório Eleitoral como Auxiliar Requisitada. Gosto de escrever, tenho dois livros publicados, "Tirésias, a dualidade da alma humana"(autobiografia), pela Editora Verso e Prosa e "A volta do Justiceiro", romance explorando o folclore brasileiro, publicado pela UICLAP. Publico crônicas diariamente em alguns grupos, meu perfil e meu blog... (taniamirandablog.blogspot .com)... sou casada, tenho quatro filhos e dois netos, sendo que minha neta mora comigo desde os três meses de idade...

Tania Miranda

Trabalho como Agente de Organização Escolar (Secretaria de Educação do Estado de São Paulo) embora no momento esteja prestando serviço junto ao TRE, no Cartório Eleitoral como Auxiliar Requisitada. Gosto de escrever, tenho dois livros publicados, "Tirésias, a dualidade da alma humana"(autobiografia), pela Editora Verso e Prosa e "A volta do Justiceiro", romance explorando o folclore brasileiro, publicado pela UICLAP. Publico crônicas diariamente em alguns grupos, meu perfil e meu blog... (taniamirandablog.blogspot .com)... sou casada, tenho quatro filhos e dois netos, sendo que minha neta mora comigo desde os três meses de idade...

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