O ORGULHO DISTANCIA AS PESSOAS….
Muitas vezes entramos em atrito com as pessoas que nos são mais caras. Sentimos o desejo de abraçá-las, mas por um motivo ou por outro, tudo o que conseguimos proferir são palavras ásperas, que machucam bem mais que um ato de agressão corporal…
Mas por que agimos assim, se na realidade não é esse o nosso desejo e, com certeza, não é também da outra pessoa? Por que não podemos, simplesmente, dizer à pessoa o quanto a amamos e o quanto necessitamos de sua presença em nossa vida? É algo que, por mais que eu pense, não encontro uma explicação razoável…
Não sei se é assim com a maioria das pessoas… afinal cada um tem sua própria maneira de viver, não é mesmo? E aquilo que ocorre comigo, em minha vida não irá necessariamente acontecer com outra pessoa. Sensações são algo muito pessoal, não costuma se replicar tão facilmente…
O problema é que cada um de nós tem suas próprias convicções, amarradas por conceitos e preconceitos adquiridos ao longo da vida. E um desses conceitos é que, se você estiver com a razão, não há porque simplesmente abrir mão desta, mesmo que tal atitude machuque alguém próximo a você…
Isso é racional? Claro que não. É orgulho, em sua mais pura natureza. Afinal, nada é mais difícil para nós que admitirmos estar errados, não é mesmo? Aliás, a velha máxima que diz que “mais vale ter paz que ter razão” nem sempre é aplicável em nosso dia a dia. Abrir mão de uma ideia, reconhecer que seu ponto de vista pode não ser o correto em determinada situação… bem, eis aí uma coisa difícil de engolir, por mais boa vontade que a pessoa tenha…
As picuinhas familiares geralmente começam com assuntos sem pé nem cabeça, coisinhas corriqueiras que em nada afetam a vida em grupo. Mas, por um motivo ou por outro, desagradam um dos participantes do referido diálogo. E então começa a discussão…
É difícil usar o discernimento quando a emoção toma conta de seu ser. Por mais calma, por mais sangue frio que você tenha, uma palavra mal colocada em um diálogo durante a conversa pode acionar o gatilho da incompreensão sobre aquilo que está ocorrendo naquele preciso instante…
Uma observação fora de hora, um comentário enviesado… tudo, absolutamente tudo, pode fazer com que um dos interlocutores acione o “modo de defesa” e parta para o ataque, confrontando aquilo que, naquele momento, parece uma ofensa sem parâmetros…
E… olha só o paradoxo… você está discutindo com uma pessoa que ama. Talvez se essas palavras fossem proferidas por outra que não de seu círculo mais íntimo, em nada te afetasse. Provavelmente não é nem as palavras que te machucam de verdade, mas sim o agente que faz uso das mesmas. E assim, vai nascendo uma rusga entre vocês… e se esse mal entendido não for sanado, começará o distanciamento entre essas duas pessoas, não importa o grau de proximidade entre elas…
E mesmo desejando abraçar e beijar a pessoa, mesmo desejando falar para esta o quanto ela é importante em sua vida, você acaba se afastando da mesma. Mesmo que não literalmente, emocionalmente vocês param de se comunicar. Como eu disse, não importa o grau de aproximação entre vocês… pais e filhos, irmãos, cônjuges… parentes em geral. Se não se abrirem de verdade, se não mostrarem o que realmente sentem em sua alma, com o tempo apenas a recordação de um momento em que o riso era franco, e a alegria de estarem juntos vai aos poucos embotando, até que em determinado momento, mesmo sem saber o por que, um laço de afeto se rompe definitivamente…
E então, em dado momento, quando não houver possibilidade de retornar, o arrependimento toma conta de sua alma… e tudo poderia ter sido evitado se você tivesse tido a coragem de admitir estar errado em determinada situação e conseguisse proferir três palavrinhas mágicas para aquela pessoa tão importante em sua vida… “eu te amo”…
Tania Miranda – Brasil – 23/02/2026

Trabalho como Agente de Organização Escolar (Secretaria de Educação do Estado de São Paulo) embora no momento esteja prestando serviço junto ao TRE, no Cartório Eleitoral como Auxiliar Requisitada. Gosto de escrever, tenho dois livros publicados, “Tirésias, a dualidade da alma humana”(autobiografia), pela Editora Verso e Prosa e “A volta do Justiceiro”, romance explorando o folclore brasileiro, publicado pela UICLAP. Publico crônicas diariamente em alguns grupos, meu perfil e meu blog… (taniamirandablog.blogspot .com)… sou casada, tenho quatro filhos e dois netos, sendo que minha neta mora comigo desde os três meses de idade…
