O CORAÇÃO PREVALECE À RAZÃO…
A nossa maior preocupação do dia a dia é, sem dúvida, o bem estar. Nosso e daqueles que amamos. E fazemos tudo para que todos estejam bem. E quando digo tudo, é exatamente isso que quero dizer. Não medimos esforço para que as pessoas que gostamos estejam sempre bem. Pois esse é o nosso objetivo maior…
Como dá para perceber, somos bastante seletivas quanto a quem pode contar com nossa proteção. Mesmo em nosso círculo mais restrito, a seleção começa de forma bem rigorosa, mesmo que em um primeiro momento não tenhamos noção desse nosso comportamento…
A princípio temos uma visão humanitária, onde todos… todos merecem nossa atenção. Mas… e sempre existe um “mas”, não é mesmo? Mas se, por um motivo ou por outro, alguém mais próximo de nós precisar do abrigo de nossas asas.. com certeza toda nossa convicção anterior dará lugar à proteção incondicional…
Porque você acha que, independentemente do motivo que leva uma pessoa a transgredir as normas de boa convivência, e mesmo contra todos os fatos que demonstram a culpabilidade da pessoa em questão, seus familiares a defendem com unhas e dentes? Não é o senso de justiça que está em ação naquele momento. Pelo menos não o senso de justiça comum…
É claro que vários fatores contribuem para essa situação. E, não… não importa qual o status social do grupo em questão. Claro que, se for da classe dominante, a plateia geral nem tomará conhecimento, pois as mazelas causadas pelo agente em questão serão abafadas de tal modo que é como se jamais tivesse ocorrido algo incomum naquele espaço… isso não quer dizer que alguém da base da pirâmide social não conte com a proteção dos seus… apenas não haverá tantos recursos para que se tente esconder os atos infracionais…
Aqui se faz necessário um aparte… ato infracional é um crime ou contravenção penal cometido por alguém ainda na adolescência… pelo nosso estatuto atual, menor de dezoito anos. Essa pessoa, legalmente, é inimputável. Ou seja… embora seja recolhida do convívio social, sua pena se resume a medidas socioeducativas ou de proteção… focada no caráter pedagógico e não meramente punitivo…
Bem… para a família somos sempre crianças. Mesmo que tenhamos a muito dobrado o Cabo da Boa Esperança, se nossos genitores estiverem próximos a nós, mesmo que a léguas de distância, seremos eternos bebês, merecedores de toda e qualquer proteção que possam nos dar… e isso vale para nossos descendentes… não conseguimos perceber quando aquela criança linda e carinhosa cresceu… e foi moldada pelo mundo, independentemente de todo nosso esforço para mantê-la no “bom caminho”…
E aí temos um problema… independente de nossa vontade, nossos filhos tem suas próprias convicções, nem sempre coincidentes com as nossas. Normas de conduta que impomos a eles enquanto crianças vão se perdendo por seu caminho, influenciados que são por um Universo de múltiplas escolhas. Algumas boas, outras nem tanto…
Se a pessoa em questão, a despeito de não seguir o caminho que lhes apresentamos, trilhar uma estrada aceitável socialmente, trabalhando em prol da comunidade além de viver para si mesma em virtude e retidão… bem, ganhamos a sorte grande. Felizmente esse é o caminho padrão. Mas sempre há aquele que escolhe os caminhos mais obscuros para seguir sua vida. E é aí que nossa proteção além do razoável entra em ação…
Em certas situações culpamos as vítimas de nossos rebentos pela situação que estes causaram. Não é intencional, é instintivo. Defendemos até o último suspiro a inocência de quem sabemos culpado, pelo simples fato de que este está ligado a nós emocionalmente… e essa é a força que nos faz mover mundos para acolher quem, na visão do mundo, não merece acolhimento…
Mas a nossa missão é prover o bem estar daqueles que amamos, não é mesmo? Claro que não há amor que resista a uma avalanche de ações contra a sociedade. E, em algum momento, seremos obrigadas a aceitar a realidade e deixar que a justiça se faça presente… e então nos contentaremos a visitar quem ficou à margem da sociedade por sua própria escolha, nos dias e horários definidos para tal ação… mas em nossos corações continuaremos a defender a inocência de quem sabemos culpado, mas que o coração não permite à razão ver a realidade nua e crua que tentamos a todo custo negar…
Tania Miranda – Brasil – 21/02/2026

Trabalho como Agente de Organização Escolar (Secretaria de Educação do Estado de São Paulo) embora no momento esteja prestando serviço junto ao TRE, no Cartório Eleitoral como Auxiliar Requisitada. Gosto de escrever, tenho dois livros publicados, “Tirésias, a dualidade da alma humana”(autobiografia), pela Editora Verso e Prosa e “A volta do Justiceiro”, romance explorando o folclore brasileiro, publicado pela UICLAP. Publico crônicas diariamente em alguns grupos, meu perfil e meu blog… (taniamirandablog.blogspot .com)… sou casada, tenho quatro filhos e dois netos, sendo que minha neta mora comigo desde os três meses de idade…
