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SOMOS PARTE DO GRANDE IRMÃO…

 

Li em algum lugar, algum tempo perdido no passado, um texto… não posso precisar se era fato acontecido realmente ou se era ficção… mas não faz diferença, visto que o texto em questão era perturbador…

Falava sobre uma Sociedade onde as crianças eram treinadas para espionar suas famílias. E os adultos também participavam desse jogo doentio, entregando às autoridades todos aqueles que agissem fora das regras sociais a todos impostas…

Era o Grande Irmão em ação, mas sem as câmeras fiscalizadoras do romance de Orwell… e podemos dizer que era muito mais eficaz, pois os olhos vigilantes dos participantes dessa cruzada eram mais eficazes que qualquer controle eletrônico poderia ser…

Por que essa ideia de repente surgiu em minha mente? Não sei… talvez seja porque, de repente, notei que todos nós participamos desse jogo, mesmo que inconscientemente. Na prática não nos reportamos a nenhuma autoridade do Estado sobre as ações das pessoas que gravitam ao nosso lado. Mas, se formos analisar sobre nossas ações…

A forma como nosso irmão vive ou deixa de viver em nada influencia minha vida. Ou a de qualquer outra pessoa. Porem, se acreditarmos que tal procedimento não está correto, passaremos a hostilizar tal elemento, tentando mostrar para ele que está no caminho errado e que tem que voltar “para o bom caminho” ou então sofrerá as consequências de seus atos…

Mas… olha só… a pessoa em questão não está transgredindo a lei… não está interferindo na vida de ninguém. Analisando friamente, ela não prejudica o grupo com sua forma de agir, pois é respeitadora das regras de boa convivência social e não segue o mundo do crime, onde realmente alguns elementos prejudicam seus semelhantes, uma vez que são predadores à procura de vítimas para seguirem nas sombras…

É aí que percebemos quão complexa é a visão distorcida das pessoas. Muitas dizem, com todas as palavras, que preferem mil vezes um descendente predador que alguém que não se enquadre na figura normativa social…

Nosso controle social é tão forte que acabamos por jogar contra nossa própria família, se algum elemento desta fugir dos padrões estipulados para cada um… tudo é controlado. Sexo, preferencia sexual, gênero…  coisas pessoais que só deveriam dizer respeito à pessoa em questão. Mas por algum motivo não explicado, se o sujeito foge à regra, a animosidade gratuita aflora instantaneamente e aquele que ousou viver sua vida real pagará o preço que a maioria não tem coragem de fazer…

Colocamos nossos sentimentos em caixinhas, devidamente etiquetadas, para que não nos enganemos quanto ao conteúdo de cada uma. São verdadeiras Caixa de Pandora, onde encerramos nossos mais íntimos segredos. E dificilmente as abrimos o suficiente para que estes consigam escapar de nosso controle… pois sabemos que se o Grande Irmão tomar ciência de nosso verdadeiro “eu” com certeza fará tudo para esmagar nossa essência, pois estaremos colocando em risco a estabilidade do grupo com nossa forma de agir incompatível com aquilo que é pregado pela maioria…

E quem é o Grande Irmão? É o Estado. E quem é o Estado? É a junção da coletividade. Que independe de um líder nomeado, embora fique mais simples seguir ordens de um rosto que possa ser reconhecido que de um ser etéreo que não se possa ver…

Mas é isso o que realmente controla as emoções de um grupo… sua essência canalizada de tal forma que, independentemente de ter ou não alguém à sua frente, os objetivos primários deste serão cumpridos. De uma forma ou de outra. Pois o que importa realmente é que a Lei não escrita seja cumprida. E a regra principal desta Lei é que cada um tem seu papel bem definido e não cumpri-lo é falta grave. Passível de punição pelo Conselho do Grupo. Que trabalhará incansavelmente pela sua conversão à Verdade única…

Sim, somos vigiadas a todo instante pelo Grande Irmão. Que não nos concede o direito de vivermos nossa vida real, que não nos permite ser quem somos em nossa essência. E o pior nisso tudo é que somos uma das muitas células que compõe o corpo deste ser controlador… e mesmo que não percebamos fazemos seu jogo, controlando aqueles que também sem notar, controlam nossa vida…

Tania Miranda   –   Brasil   –   10/02/2026

Tania Miranda
Tania Miranda

Trabalho como Agente de Organização Escolar (Secretaria de Educação do Estado de São Paulo) embora no momento esteja prestando serviço junto ao TRE, no Cartório Eleitoral como Auxiliar Requisitada. Gosto de escrever, tenho dois livros publicados, "Tirésias, a dualidade da alma humana"(autobiografia), pela Editora Verso e Prosa e "A volta do Justiceiro", romance explorando o folclore brasileiro, publicado pela UICLAP. Publico crônicas diariamente em alguns grupos, meu perfil e meu blog... (taniamirandablog.blogspot .com)... sou casada, tenho quatro filhos e dois netos, sendo que minha neta mora comigo desde os três meses de idade...

Tania Miranda

Trabalho como Agente de Organização Escolar (Secretaria de Educação do Estado de São Paulo) embora no momento esteja prestando serviço junto ao TRE, no Cartório Eleitoral como Auxiliar Requisitada. Gosto de escrever, tenho dois livros publicados, "Tirésias, a dualidade da alma humana"(autobiografia), pela Editora Verso e Prosa e "A volta do Justiceiro", romance explorando o folclore brasileiro, publicado pela UICLAP. Publico crônicas diariamente em alguns grupos, meu perfil e meu blog... (taniamirandablog.blogspot .com)... sou casada, tenho quatro filhos e dois netos, sendo que minha neta mora comigo desde os três meses de idade...

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