A VIDA NOS COBRA DE ACORDO COM NOSSAS ESCOLHAS…
Vivemos em um mundo repleto de contradições. Pregamos o Amor, mas cultuamos a violência. Pedimos Paz, mas somos os primeiros a iniciar conflitos. Queremos que respeitem nossa maneira de pensar, mas somos intolerantes quando as ideias de nosso próximo são diferentes das nossas. E por aí vai…
Sim, já chegamos a esse plano cheios de defeitos. Que não são perceptíveis em nossa chegada. Mas, aos poucos, com muita paciência, nossos cuidadores (nossos pais) conseguem despertar todo nosso potencial, nos incutindo seus conceitos e pré conceitos. Aqui vale um esclarecimento… pré conceito não é o mesmo que preconceito. Sei que parece que escrevi a palavra de forma errônea, mas não é o caso. Um preconceito é uma ideia já formada, uma opinião sobre algo que não conhecemos, mas temos certeza de que nosso ponto de vista é o correto e acabou… um pré conceito é como a própria palavra anuncia… é uma ideia que pode ou não vir a ser agregada pela pessoa. E ela não é necessariamente negativa. Ou seja, um pré conceito não é, necessariamente, um futuro preconceito sobre o que seja lá que for…
Somos seres individualistas, embora necessitemos viver em grupo. Mas isso não significa unidade. Nem de pensamento nem de nada. Embora estejamos reunidos, na maioria das vezes vivemos nossa solidão no meio do grupo ao qual pertencemos. Isso porque, por motivos vários, podemos não comungar com as ideias dominantes do mesmo. Então acabamos por estar inseridos naquela Sociedade, mas não pertencemos a ela de fato. Porque nossas ideias não combinam com o senso comum do grupo…
Isso parece um tanto estranho, não é mesmo? Afinal, ao fazermos parte de qualquer Agremiação, o senso comum é que temos muito a contribuir com tal grupo. E receberemos deste, em contrapartida, novos conceitos que nos auxiliarão em nossa caminhada por esse plano… mas aí está o paradoxo…
Em realidade, a maioria dos grupos existentes tem sua linha de pensamento engessada de tal forma que não aceita nuances de interpretação em suas regras. E isso é de certa forma compreensível, visto que se assim não fosse estes perderiam sua identidade e deixariam de ser uma opção para quem se encontra perdido no meio de um mundo caótico com tantas ideias desencontradas…
Vivemos uma dualidade nem sempre saudável. Como o personagem de uma certa série de quadrinhos, temos duas personas em conflito… e nem sempre o lado bom vence na disputa por um lugar ao sol…
Entre as várias discrepâncias enfrentadas por nossa Sociedade como um todo, vivemos sob o jugo do Grande Irmão, bem antes de se inventar as câmeras de vigilância. E o Grande Irmão não é uma entidade física, mas um espírito coletivo onde, para que possamos manter a Paz em nossa Unidade, somos todos vigiados vinte e quatro horas por dia, sete dias por semana, quatro semanas por mês, doze meses por ano… e quem é o responsável por essa vigilância ininterrupta? Bem, aí está a grande ironia… somos nós mesmo…
Desde a mais tenra infância somos treinados para seguir determinado padrão de comportamento. E não se aceita desvios de conduta desses padrões. Porque, como já falei, são estes que validam a identidade de determinado grupo. Claro que sempre haverá rupturas na linha de pensamento dos grupos mais antigos e algumas pessoas abandonarão tais sociedades e fundarão novas associações onde aparentemente haverá uma maior abertura quanto às ideias que serão propagadas por estes… mas essa liberdade prometida será apenas aparente, pois como o grupo anterior, suas regras serão engessadas pelo interesse de seus fundadores… pois esse será o norte que guiará o novo grupo…
A linha de comportamento dos membros dessa sociedade será definida de acordo com as ideias do líder, sendo sancionadas pela maioria como algo a seguir sem questionamentos. É assim que funcionam todos os grupos, sem exceção. Se alguém não concordar com a linha de ação do grupo do qual faz parte, tem apenas duas opções… se calar e cumprir as normas, mesmo indo contra seus princípios ou “pedir seu chapéu” e sair do grupo. A maioria costuma optar pela primeira solução…
Entre as várias contradições que enfrentamos essa é talvez a mais complexa de todas. Afinal, segundo nossa visão, o grupo segue o caminho errado. Mas, na esperança de que em algum momento este mude sua trajetória, continuamos a fazer parte do mesmo… e acabamos por tomar atitudes que, em sã consciência, jamais tomaríamos…
Compreende agora porque multidões são perigosas? Uma multidão é uma entidade autônoma, onde o indivíduo que dela faz parte não tem a menor influência sobre a linha de ação que esta irá tomar… a turba não é, nem está furiosa. O que ocorre é que a entidade em questão toma uma atitude que refletirá na vida de cada componente seu, mesmo que este não comungue com tal ato. Mas ele irá participar, uma vez que está tomado pelo “senso de pertencimento” que acomete todo seu ser… até irá se arrepender mais tarde por ter participado de atos dos quais repudia veementemente, mas que, no calor da emoção, acabou por seguir…
Sim, viver em Sociedade é complexo. Muitas vezes, para não se sentir isolado, o indivíduo toma decisões das quais se arrepende mais tarde. Quando já não faz mais parte do grupo que havia escolhido anteriormente. Mas assim é a vida, cheia de erros e acertos… mais erros que acertos, mas faz parte de nossa aprendizagem. Afinal, ninguém nasceu sabendo nada sobre a vida, não é mesmo?..
De qualquer modo, sempre iremos pagar por nossas escolhas. Não há como fugir de tal premissa. Então, ao precisarmos tomar uma decisão tão crucial para nosso destino, pensemos bem sobre tal passo. E que tenhamos a sabedoria de escolher o melhor caminho, aquele que nos conduza à Luz… que saibamos dar respeito para sermos respeitados, que possamos distribuir Amor para que sejamos amados… que tragamos Paz não só à nossa Alma, mas também a todos ao nosso redor… que nossa luta pela Harmonia entre as pessoas não seja um discurso vazio, apenas da boca para fora, mas que seja pontuado por ações que realmente nos possibilite fazer a diferença (positiva) na vida das pessoas que gravitam ao nosso redor… pense nisso…
Tania Miranda – Brasil – 30/01/2026

Trabalho como Agente de Organização Escolar (Secretaria de Educação do Estado de São Paulo) embora no momento esteja prestando serviço junto ao TRE, no Cartório Eleitoral como Auxiliar Requisitada. Gosto de escrever, tenho dois livros publicados, “Tirésias, a dualidade da alma humana”(autobiografia), pela Editora Verso e Prosa e “A volta do Justiceiro”, romance explorando o folclore brasileiro, publicado pela UICLAP. Publico crônicas diariamente em alguns grupos, meu perfil e meu blog… (taniamirandablog.blogspot .com)… sou casada, tenho quatro filhos e dois netos, sendo que minha neta mora comigo desde os três meses de idade…
