A EVOLUÇÃO…
A muitos anos atrás… eu ainda estava cursando o Ginásio, hoje chamado de Ensino Fundamental, segundo ciclo, escrevi, junto com um colega de classe, um poema chamado “O que somos nós”. Eu tinha uns quatorze, quinze anos, não me lembro ao certo. Também não é tão importante, assim, situar-me com precisão no tempo passado. O que importa era a fase que eu vivia…
Nessa época eu tinha me encontrado na poesia. Em realidade, adoro poesias. Mas como essas acabam sendo muito autorais, eu as deixo de lado, pois nem todo mundo as aprecia. E entendo isso. Afinal, quando você dá vazão à sua alma, quando você se dispõe a contar alguma coisa através de rimas e estrofes, está expondo mais que sua verve literária… está se desnudando frente a uma plateia que nem sempre está disposta a compartilhar contigo aquele momento. Pois ele é muito íntimo, só diz respeito a você e a mais ninguém…
A primeira vez que percebi isso foi quando tinha uns vinte, vinte e cinco anos. Trabalhava em uma empresa que costumava apoiar a arte, publicando trabalhos de seus funcionários. Entregávamos nossos manuscritos à comissão da empresa e aqueles originais que eram aprovados seriam publicados. Alguns colegas meus tiveram seus livros lançados graças a esse departamento da empresa. Ah, sim… antes que me perguntem… era uma rede de Supermercados, que hoje não mais existe…
Bem, como estava dizendo, coloquei meu livro para análise pelo comitê e, depois de algum tempo, fui chamada pela coordenadora do projeto para conversarmos. Meu livro tinha, aproximadamente, um cento e vinte poemas. Boa parte, sonetos. Mas os estilos variavam quanto à forma. Quanto ao tema, só poderia ser um… o Amor. E lá fomos nós, para ouvir a avaliação…
Ela elogiou o trabalho, disse que os poemas eram tocantes, mas… não era algo no qual investiriam, porque “poesia não vende”. Então descobri que o que poderia, talvez, abrir caminho era o romance, a crônica… prosa, enfim…
Bem, mas eu citei, no começo de nossa conversa, o poema que escrevi em parceria com alguém. Era um poema com versos livres, onde ora seguiam uma métrica, ora se rebelavam contra as estruturas pré definidas. Como a vida, em realidade…
Nessa linhas… o poema tinha, mais ou menos uns trinta versos, dividido em três ou quatro estrofes… a gente, no alto de nossos quatorze anos, questionava qual era o nosso papel neste mundo caótico onde vivemos. Em alguns trechos comparávamos o ser humano, a humanidade em geral, a seres irracionais, onde agia simplesmente por instinto, sem preocupar-se com nada além da própria sobrevivência. O que, convenhamos, é natural. Afinal, a frase “farinha pouca, meu pirão primeiro” não foi cunhada por acaso…
Décadas se passaram. Novos valores foram incutidos na Sociedade. Antigos heróis foram derrubados de seus pedestais. Em alguns aspectos, evoluímos. Em outros, infelizmente, regredimos de tal forma que me fez lembrar de algumas frases ditas ao vento em minha juventude. Bem, uma coisa é líquida e certa… o mundo de hoje em nada se parece com o mundo de minha juventude. Nem melhor, nem pior. Simplesmente diferente. Mas é assim que seguimos em frente, não é mesmo? O antigo se vai, as lembranças vão aos poucos se apagando, para dar lugar ao novo. Que um dia também se esvairá, pois a vida é dinâmica, está em constante mudança… pois é como diz a velha frase popular… “a pedra que rola não cria limo”…
Tania Miranda – Brasil – 01/10/2026

Trabalho como Agente de Organização Escolar (Secretaria de Educação do Estado de São Paulo) embora no momento esteja prestando serviço junto ao TRE, no Cartório Eleitoral como Auxiliar Requisitada. Gosto de escrever, tenho dois livros publicados, “Tirésias, a dualidade da alma humana”(autobiografia), pela Editora Verso e Prosa e “A volta do Justiceiro”, romance explorando o folclore brasileiro, publicado pela UICLAP. Publico crônicas diariamente em alguns grupos, meu perfil e meu blog… (taniamirandablog.blogspot .com)… sou casada, tenho quatro filhos e dois netos, sendo que minha neta mora comigo desde os três meses de idade…
