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BRINCADEIRAS E APRENDIZADOS

 

Quando vemos alguém com a atenção presa no celular, costumamos criticar  essa pessoa. Porque, à primeira vista, tal ato parece inconcebível… principalmente se essa pessoa for uma criança. Afinal, há tantas coisas para se fazer. Por que ficar refém de um aparelho, que parece escravizar os indivíduos de tal forma que não conseguem ver sentido em algo que não seja o mundo virtual no qual estão mergulhados?  Na verdade, não é bem assim….

Eu aprendi a ler com histórias em quadrinhos. Fotonovelas, histórias de aventuras, histórias infantis… Meus filhos aprenderam as letras com vídeo game. Para poderem vencer as fases não bastava manusear o controle. Era necessário ler as instruções. Minha pequenina, que hoje conta com onze anos, aprendeu as letras com o computador. Já com dois aninhos tentava decifrar os sinais para conseguir acessar os desenhos que lhe interessavam. Com o tempo, aprendeu a criar ilustrações e muito do que já sabe nos dias de hoje aprendeu pesquisando no cyberespaço. Sua frase favorita, quando era menorzinha, e queria saber sobre alguma coisa que não sabíamos explicar… “pesquisa no Google”…

Eu sei, você certamente me dirá que as informações digitais nem sempre são confiáveis. Concordo. Por isso eu nunca a deixei sozinha quando usava o computador. E também não entreguei a ela um celular ainda pequenina. Seu primeiro aparelho recebeu quando já tinha nove anos. Sei, ainda é muito nova. Mas temos que interagir com aquilo que faz parte de nossa geração, não é mesmo?

Assim como vários estudiosos gritam ao mundo que as crianças não podem ficar mergulhadas no mundo virtual, as mesmas recomendações existiam em minha época de infante. Educadores e outros apregoavam aos quatro ventos que as revistas em quadrinhos eram prejudiciais à formação dos novos cidadãos. O que, realmente, não condiz com a realidade. O que é prejudicial na vida de uma criança em formação não são os meios que ela utiliza para se distrair, e sim a falta de supervisão dos adultos…

Nada em excesso é saudável, é claro. Mas como vamos mensurar quando algo é excessivo ou não?  Cada pessoa tem seus parâmetros. E cabe a nós, tutores destes pequenos, avaliar o que é e o que não é aceitável na educação de nossos infantes. De nada adianta proibir o que quer que seja. A proibição desperta apenas um sentimento… a curiosidade. Que faz com que a criança, o jovem, tenha contato com aquilo sem a supervisão de um responsável. E aí, sim… aquilo que você classificou como “prejudicial” se torna realmente isso…

É claro que nem tudo na vida pode ser permitido. Mas aquilo que foge aos padrões de aprendizado deve ser mostrado de uma forma que a criança, o jovem, consiga entender o porque tal situação não deve ser vivenciada. É esse “por que” que acaba empurrando os pequenos para o precipício que tentamos, de todas as formas, evitar…

Negar algo sem explicar as razões não resolve situação alguma. Diálogo é a única arma eficaz na educação de uma criança, de um jovem. Ah, sim… exemplos daqueles que estão dialogando com os jovens também são primordiais. De nada serve determinado conselho se a pessoa que ministra tal ensinamento age exatamente contrária àquilo que apregoa. Por exemplo, você diz para um pequeno “bebida alcoólica faz mal à saúde. Você não pode tomar tal veneno!” e daqui a pouco você está sorvendo tal coisa… acha, realmente, que o jovem em questão acreditará em sua explanação?

Dito isso, temos que ter sempre em mente que somos responsáveis por aqueles que educamos. As ferramentas utilizadas são aquelas disponíveis no momento. Hoje são os celulares. Ontem foram as revistas, os jornais. Antes, ainda, haviam os romances, livros descartáveis que serviam como distração, tal e qual as distrações de hoje. Amanhã, quem poderá dizer como as pessoas se distrairão? É o mundo caminhando sempre em frente, sem se importar com nossas convicções…

Caminhamos sobre uma Fita de Möebius. Por mais que pareça que vivemos de uma forma diferente de nossos pais, o caminho que fazemos é o mesmo. Seguimos em frente para retornarmos ao passado. O futuro pode ser colorido ou cinzento. A percepção que teremos sobre tal depende de como fomos estimulados a ver nosso Universo. Ou seja… nenhuma ferramenta é, por si, perniciosa para a formação de quem quer que seja. Depende de como é usada… e de como a pessoa em questão é orientada…

Tania Miranda  –   Brasil   –   09/09/2026

Tania Miranda
Tania Miranda

Trabalho como Agente de Organização Escolar (Secretaria de Educação do Estado de São Paulo) embora no momento esteja prestando serviço junto ao TRE, no Cartório Eleitoral como Auxiliar Requisitada. Gosto de escrever, tenho dois livros publicados, "Tirésias, a dualidade da alma humana"(autobiografia), pela Editora Verso e Prosa e "A volta do Justiceiro", romance explorando o folclore brasileiro, publicado pela UICLAP. Publico crônicas diariamente em alguns grupos, meu perfil e meu blog... (taniamirandablog.blogspot .com)... sou casada, tenho quatro filhos e dois netos, sendo que minha neta mora comigo desde os três meses de idade...

Tania Miranda

Trabalho como Agente de Organização Escolar (Secretaria de Educação do Estado de São Paulo) embora no momento esteja prestando serviço junto ao TRE, no Cartório Eleitoral como Auxiliar Requisitada. Gosto de escrever, tenho dois livros publicados, "Tirésias, a dualidade da alma humana"(autobiografia), pela Editora Verso e Prosa e "A volta do Justiceiro", romance explorando o folclore brasileiro, publicado pela UICLAP. Publico crônicas diariamente em alguns grupos, meu perfil e meu blog... (taniamirandablog.blogspot .com)... sou casada, tenho quatro filhos e dois netos, sendo que minha neta mora comigo desde os três meses de idade...

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