Paz Familiar
Relações pessoais não são simples de se manter. E quando essas relações são interfamiliares, torna-se ainda mais complexas. Porque é um caminho ainda mais sensível. Se você se relaciona com uma pessoa com a qual não tem nenhum vínculo mais forte, além da atração natural que sentimos ao conhecer alguém com o qual nos identificamos, e em dado momento sentimos que esta ligação está enfraquecendo e que, por motivos vários, pode ser rompida, vamos sofrer, é claro. Mas sabíamos desde o início que tal iria ocorrer. Porque cada um de nós tem sua maneira peculiar de encarar o mundo. E mesmo que alguns pontos coincidam, nossos caminhos nem sempre se cruzam com aquelas pessoas que, de uma maneira ou de outra, nos são caras. Infelizmente, assim é a vida…
Sabemos de antemão que as relações interpessoais tem seu tempo marcado. Porque, até mesmo para nossa evolução, essas relações não podem ficar engessadas. Não podemos nos prender, nem prender estas pessoas… a porta da gaiola deve estar sempre aberta. Entre nesta de livre e espontânea vontade. Bata as asas quando sentir que é hora de explorar outros recantos deste Plano tão imenso…
No Plano Familiar, embora nos doa admitir, a lógica é a mesma. Família não é prisão. Nossa Gaiola Dourada tem que estar sempre com suas portas abertas. Os componentes deste grupo devem ter liberdade para alçar voo quando se sentirem preparados para tal. Os Genitores devem cumprir seu papel, preparar seus filhotes o melhor que puderem. Não por dever. Por amor. Porque dever soa como algo artificial, metódico… o Amor é cheio de erros, mas é algo natural. Nem sempre compreendido. Mas sempre verdadeiro…
Um dos maiores entraves na boa relação familiar é o medo de machucar seus componentes. Muitas vezes, mesmo com o risco de ser mal interpretados, os participantes deste grupo acabam por guardar mágoas por anos a fio. Mas mágoa é como as águas de uma represa, que pode romper-se a qualquer momento. E então, sem mais nem porque, tudo explode com uma fúria avassaladora. O pior? Ninguém é culpado, todos tem sua parcela de culpa…
Isso acaba se tornando um paradoxo. Afinal, se não há culpados, como assim todos tem sua parcela de culpa? Bem, cada um de nós vive em uma frequência vibratória muito específica. Onde sua visão do todo é parcial. Cada um vê aquilo que é importante para sua sobrevivência. Sim, porque mesmo que não pareça, estamos tentando sobreviver neste mundo caótico e cada ação é determinada pelo momento em que vivemos…
A culpa de cada um muitas vezes se resume em uma palavra mal colocada, em um silêncio fora de hora, em uma ação ambígua, onde o verdadeiro objetivo só é compreendido pelo executor da mesma, que por motivos vários acaba não compartilhando o porque de tal ação foi necessária…
Cada um tem sua história, e ninguém dá nenhum passo se tal não for essencial para sua vida. É como em um jogo de xadrez… cada peça movida tem um por quê… mas apenas o jogador tem noção da necessidade de tal movimento…
Eu tenho o meu gênio. Você tem o seu. Algumas pessoas são calmas, outras, impulsivas. Faz parte de nossa gênese e, por mais que tentemos, não há como modificar isso. Tentamos nos domesticar, através de conversas com pessoas tão complexadas quanto nós. E muitas vezes, através dessas conversas, acabamos por descobrir caminhos não explorados que podem… ou não… nos ajudar. Mas ficarmos inertes, sem procurar caminhos que possam nos ajudar torna tudo mais espinhoso…
Desavenças familiares sempre existiram. E infelizmente sempre existirão. Não porque as pessoas se odeiem. Elas se gostam, mas não conseguem entender o caminho de cada um. Não percebem que, apesar da origem em comum, muitas vezes não compartilham a mesma linha de pensamento. E essa divergência na maneira de ver e entender o mundo faz com que trilhem caminhos diferentes. Até sentem falta dos momentos que compartilharam no passado. Mas, como diz o ditado popular, “quem vive de passado é museu”…
Como podemos mudar este estado de coisa? A primeira ação é, sem dúvida, abrir nosso coração. Ouvir nossos entes queridos. Falar aquilo que está preso em nosso peito. E tentar chegar a um denominador comum. Sem julgamentos. Apenas ouvir. Apenas falar. Desabafar. Sem assumir o papel de vítima ou de acusador. Tentar entender o que se passa ao seu redor, mas tentar de verdade. Porque muitas vezes a solução de todos nossos problemas se resume em sentar-se um na frente do outro e conversar honestamente…
Pense nisso…
Tania Miranda – Brasil – 13/07/2026

Trabalho como Agente de Organização Escolar (Secretaria de Educação do Estado de São Paulo) embora no momento esteja prestando serviço junto ao TRE, no Cartório Eleitoral como Auxiliar Requisitada. Gosto de escrever, tenho dois livros publicados, “Tirésias, a dualidade da alma humana”(autobiografia), pela Editora Verso e Prosa e “A volta do Justiceiro”, romance explorando o folclore brasileiro, publicado pela UICLAP. Publico crônicas diariamente em alguns grupos, meu perfil e meu blog… (taniamirandablog.blogspot .com)… sou casada, tenho quatro filhos e dois netos, sendo que minha neta mora comigo desde os três meses de idade…
