SE A VIDA FOSSE UMA IMENSA BIBLIOTECA…
Se fôssemos livros escritos por algum autor, essa seria uma biblioteca rica do ponto de vista quanto a estilos. Porque haveria uma profusão de romance, comédia, terror… cada livro traria um Universo diferente de outro tomo com o qual estivesse dividindo espaço na estante. Haveria vários cross-overs, é claro. Mas essas interações nos ofereceriam visões discrepantes de um mesmo acontecimento. Como ocorre em nosso dia a dia…
Cada pessoa tem sua própria história de vida para contar. E essa história pode coincidir em alguns pontos com a de outros que cruzaram seu caminho. Mas coincidência significa apenas que alguns pontos vividos eram semelhantes, não iguais. Por esse motivo, a solução que uma pessoa encontra para fazer frente a algum problema enfrentado não serve de parâmetro para outra, pois as situações exigem ações diferentes para que a questão possa ser resolvida a contento. E por quê? Simples…
A dinâmica da vida exige uma adequação de nossa parte a todo momento. O sucesso ou fracasso de determinada atitude que tomamos é definida pelo tempo de reação frente ao problema enfrentado. Não podemos agir nem antes nem depois do momento mais propício para solucioná-lo. Ou seja, mesmo que tenhamos encontrado uma resposta que resolveria o enigma posto à nossa frente, uma resposta antecipada a este não traria o resultado desejado. Uma resposta atrasada, também não…
Precisamos estar atentos ao tempo à nossa volta. Pois, como eu disse, ele se modifica a cada segundo. Aquilo que era a instantes já não é mais agora e provavelmente deixará de ser… de existir… daqui a alguns momentos…
Sim, por mais que desejemos, não temos controle algum sobre o tempo… sobre a vida. É como se cada instante que vivemos tivesse sido planejado por alguém, que teria determinado cada passo nosso na realidade em que vivemos…
Por mais que desejemos, por mais que lutemos, há situações nas quais nos encontramos cuja resposta racional simplesmente não se encaixa. Por exemplo… porque algumas pessoas tomam certas decisões que vão arrastá-las para situações tais que ninguém gostaria de enfrentar? E, no entanto, elas seguem por esse caminho sem hesitar…
Outro exemplo… duas pessoas seguem o mesmo caminho, tem o mesmo objetivo. Uma alcança seu intento, a outra, não. A pergunta é… porque, tendo partido do mesmo ponto, tendo a mesma determinação inicial, apenas um dos elementos conseguiu terminar a corrida a contento? Afinal, as condições durante a jornada não eram as mesmas para os dois competidores? Infelizmente não é bem assim…
Nossa caminhada por esse plano é determinada por várias nuances. São detalhes quase imperceptíveis à primeira vista. Mas que determinam o rumo de nossa caminhada. Não se esqueça, a todo instante precisamos fazer escolhas. Boas ou más, certas ou erradas. Nosso destino depende dessa dinâmica. Mas o que nos faz escolher algo que não nos trará benefício algum? Por exemplo, o que faz uma pessoa se viciar em drogas, que irão destruí-la aos poucos? Não faz sentido algum…
O que leva alguém a mergulhar no mundo da violência, onde sua sobrevivência depende de outras sucumbirem durante sua caminhada? É a Lei da Selva em seu modo mais cruel sendo posto em prática. E como esta pessoa de repente tornou-se uma predadora de sua própria espécie? Vê como nada faz sentido, mas tudo tem um porque, mesmo que não consigamos entender? É o bendito destino escrito pela pena de alguém, determinando o destino de cada personagem criado nesse grande romance universal…
Bem, não estou dizendo que o Livre Arbítrio não existe. Mas também não confirmo sua existência. De certa forma, não confirmo nem a nossa própria existência, visto que de repente nem estamos realmente vivendo como imaginamos… é como se nossa realidade fosse aquela imaginada pelas irmãs Lana e Lilly Wachowski em seu filme mais famoso…
Já imaginou se, de repente, descobrimos que nada somos, que nem mesmo existimos da maneira que pensamos? Que somos simplesmente criados pela imaginação de uma inteligência que define os destinos de cada personagem ao seu bel prazer? Como fazemos, quando escrevemos uma história… bem, nesse caso, dependeríamos da vontade do autor de quebrar a quarta parede e nos deixar interagir com este… mas aí seria ele a colocar palavras em nossa boca, não é mesmo? Ou seja…
Bem, o melhor que podemos fazer é aproveitar cada segundo de nossa vida, sem pensar muito naquilo que não podemos resolver, não acha? Viver e deixar viver, um passo por vez, sem tentar desvendar os mistérios do destino… porque, no final, não vamos conseguir, mesmo…
Tania Miranda – Brasil – 31/05/2026

Trabalho como Agente de Organização Escolar (Secretaria de Educação do Estado de São Paulo) embora no momento esteja prestando serviço junto ao TRE, no Cartório Eleitoral como Auxiliar Requisitada. Gosto de escrever, tenho dois livros publicados, “Tirésias, a dualidade da alma humana”(autobiografia), pela Editora Verso e Prosa e “A volta do Justiceiro”, romance explorando o folclore brasileiro, publicado pela UICLAP. Publico crônicas diariamente em alguns grupos, meu perfil e meu blog… (taniamirandablog.blogspot .com)… sou casada, tenho quatro filhos e dois netos, sendo que minha neta mora comigo desde os três meses de idade…
