INFIDELIDADE
Relações pessoais são um assunto delicado, que ao ser tocado, deve levar vários pontos em consideração. Porque o que é líquido e certo para uns, para outros não é. Depende de vários parâmetros. Entre eles o tipo de educação de cada um, sua religiosidade, o núcleo social no qual está inserido, e por aí vai…
Uma coisa para a qual damos um valor excessivo é a fidelidade. “Excessivo” quando percebemos que este tem mão única… exijo de você uma fidelidade que nem sempre estou disposta a retribuir. Porque quando me entrego a você, passo a te considerar minha propriedade exclusiva… ninguém, além de mim, tem o direito de aproximar-se do “objeto” de meu amor…
Falando assim parece algo agressivo. E é mesmo. Afinal, temos sempre dois pesos e duas medidas para todas as nossas ações. Aquilo que eu faço não é permitido para outrem. Porque tal irá contra meus interesses, sejam eles quais forem. Como estamos falando de relacionamentos uma “fugidinha” de minha parte, em um “momento de fraqueza”, é perfeitamente “normal” e meu par tem que perdoar se vier a descobrir. Mas se o inverso acontecer, nada nesse mundo me fará deixar tal situação passar em brancas nuvens…
Nossa maior dificuldade, quando falamos de “Amor”, é que sentimos atração praticamente por todo mundo. Não importa se a outra pessoa é mais nova, mais velha, bonita ou feia, homem ou mulher… se tiver algo que chame nossa atenção… e a maioria tem… sentimo-nos atraídas por ela e fantasiamos encontros tórridos que, em sua maioria, ficam confinadas apenas em nossa imaginação. Nesse caso, não há perigo de afetar nossos relacionamentos. O problema é quando deixamos a fantasia extrapolar para o mundo real e partimos para a “ação”, com todos os seus riscos, não só para nós como para a outra pessoa, também…
Claro, quando iniciamos uma relação amorosa com alguém, esperamos dessa lealdade acima de tudo. E prometemos, de nosso lado, nos dedicar de corpo e alma a essa pessoa, visto que ela é tudo aquilo que sempre desejamos encontrar nessa vida. Nos esforçamos, dentro de nossa limitações, para cumprir o prometido, assim como a recíproca é verdadeira… mas… e sempre existe um “mas”… algumas pessoas não conseguem ser monogâmicas. E num repente estão apaixonadas por uma, duas ou mais pessoas. E passam a se relacionar com estas, à revelia do parceiro principal…
Na cabeça da pessoa que está sendo infiel ao seu par, tal situação não ocorre realmente. Porque, para esta, a situação vivenciada seria perfeitamente normal. Ela simplesmente “ama” a todos de maneira igual, não se sente traindo nenhum de seus pares… mas o Amor, tal e qual o concebemos não aceita compartilhamento…
Quando o parceiro traído descobre a infidelidade de seu par, seu mundo desaba. Literalmente. Mas sabe o que é pior nessa história? É que, no final, por mais que tentemos julgar a situação, nosso veredito jamais será justo, pois estaremos julgando a superfície do caso, não a sua integridade. E teremos já de início o culpado pela tragédia, sem conhecermos as nuances da narrativa em questão…
As reações da pessoa traída serão imprevisíveis. Porque muito do que poderá fazer dependerão de várias circunstâncias. Temos que nos lembrar que há momentos em que nos encontramos mais fortes e outros em que, por um motivo ou por outro, nos encontramos fragilizadas. E as decisões que uma pessoa traída por alguém que considerava parte de seu ser vão depender de como esta se sente no momento em que descobre tal falsidade… normalmente, haverá uma explosão de raiva e, depois de lavar a roupa suja, cada um vai para o seu lado. Pode haver cenas de violência, onde a pessoa traída tentará descarregar sua frustração naquela que a traiu. Há casos extremados, dos quais prefiro nem falar…
Quando a pessoa traída está passando por momentos difíceis em sua vida e está em uma condição pré depressiva, a situação se torna mais grave… porque, muitas vezes, a âncora que mantém essa pessoa sã é seu relacionamento. E quando descobre que tudo aquilo que lhe era importante nada significava para seu par… pode até mesmo seguir um caminho sem volta…
E de quem seria a culpa por essa reação? Em realidade, de ninguém. Ninguém pode ser condenado por uma ação de outra pessoa… porque, no final das contas, todos perseguem sua felicidade pessoal. E muitas vezes não percebem que estão machucando outros indivíduos… claro que, mais cedo ou mais tarde, aquele que causou sofrimento para outros receberá sua conta… mas aí já é o acerto do destino, sobre o qual não temos nenhum controle…
Tania Miranda – Brasil – 30/05/2026

Trabalho como Agente de Organização Escolar (Secretaria de Educação do Estado de São Paulo) embora no momento esteja prestando serviço junto ao TRE, no Cartório Eleitoral como Auxiliar Requisitada. Gosto de escrever, tenho dois livros publicados, “Tirésias, a dualidade da alma humana”(autobiografia), pela Editora Verso e Prosa e “A volta do Justiceiro”, romance explorando o folclore brasileiro, publicado pela UICLAP. Publico crônicas diariamente em alguns grupos, meu perfil e meu blog… (taniamirandablog.blogspot .com)… sou casada, tenho quatro filhos e dois netos, sendo que minha neta mora comigo desde os três meses de idade…
