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ESCOLHAS

 

A alegoria do filme Matrix é uma constante em nossas vidas. Estamos sempre fazendo escolhas entre a pílula vermelha e a azul. Porque a escolha de nosso destino assim exige. As bifurcações de nossa estrada são mais comuns que o desejado e temos que tomar decisões a todo instante.

O ideal seria não termos que tomar tantas decisões em tão curto espaço de tempo. Mas a dinâmica da vida não nos permite sequer respirar, quanto mais descansar de determinadas obrigações que nos são impostas. E quando não são as escolhas naturais, como se essas já não fossem em uma quantidade excessiva de decisões a tomar, vem aquelas impostas pela Sociedade, pelo grupo no qual estamos inseridas.

Sim, temos sempre que decidir o que é melhor para nosso conforto. E essa escolha não pode ser altruísta. Ao menos, não sempre. Claro que algumas vezes nos colocamos em segundo, terceiro lugar, para ceder a vez a alguém que nos é caro. Mas em algumas circunstancias somos obrigadas a abrir mão dessa nossa índole solidária, pois é a nossa própria sobrevivência que é posta em jogo. E quando se fala em sobrevivência, nosso instinto fala mais alto.

Claro, se para o grupo nos anularmos for o melhor caminho, seremos induzidas a aceitar tal destino como se isso fosse natural. Embora não o seja. Mas, por artifícios mil, nossa  auto estima será quebrada aos poucos, até que nos vejamos como algo descartável… ou você acha que as pessoas com depressão queriam ficar nesse estado lastimável por livre e espontânea vontade? Claro, isso é um problema psíquico, mas que foi causado em nome de um grupo que, por um motivo ou por outro, quer se ver livre de determinado elemento.

Quando paramos para pensar um pouco, percebemos o quanto determinados livros falam sobre tal situação. Por exemplo, 1984… a alegoria do Grande Irmão, que tudo vê, é de certa forma a mente coletiva de determinado grupo social. Na realidade, o Grande Irmão não necessita de câmeras e microfones para controlar a multidão. Porque os gatilhos que nos farão agir dessa ou daquela maneira já foram implantados em nossa Sociedade a eras passadas. E sempre que se faz necessário, segundo a visão de alguém, esses serão acionados…

Se você tem alguma dúvida sobre isso, basta pensar um pouco… o que leva alguém a se alistar, por, livre e espontânea vontade, a um grupo cuja finalidade será invadir, matar ou morrer durante uma batalha que, se for analisar friamente, nada lhe traria de útil, mesmo que fosse bem sucedido? Afinal, os louros da vitória ficarão com aqueles que orquestraram toda a ação, mas que jamais colocarão sua integridade física em perigo… e ainda sairão como heróis a custa do sangue daqueles que nada ganharam com tal investida…

São criados artifícios mil para que, ao vir uma ordem de alguém que ocupe um cargo de comando, todos obedeçam sem questionar. E nessa hora, mesmo sabendo que a escolha pode significar vida ou morte para o elemento, por motivos mil a escolha pode não ser aquela que, racionalmente, seria feita. Porque há tantas variantes que acabam empurrando a pessoa a seguir um caminho que a colocará em perigo constante…ou seja, escolherá a estrada que poderá causar sua anulação, mas será em prol de seu grupo…

Sim… normalmente escolhemos a pílula que nos deixa na penumbra, pois a realidade pode não ser tão palatável como gostaríamos. E por escolhermos aquilo que nos dá a falsa impressão de segurança, nos entregamos aos nossos ídolos de pés de barro que nos prometem um mundo que pretendem construir apenas para eles… pois apenas sua sobrevivência, seu conforto, lhes importa. O resto é apenas massa de manobra. Que não soube escolher o melhor caminho para sobreviver…

Tania Miranda   –    12/05/2026

Tania Miranda
Tania Miranda

Trabalho como Agente de Organização Escolar (Secretaria de Educação do Estado de São Paulo) embora no momento esteja prestando serviço junto ao TRE, no Cartório Eleitoral como Auxiliar Requisitada. Gosto de escrever, tenho dois livros publicados, "Tirésias, a dualidade da alma humana"(autobiografia), pela Editora Verso e Prosa e "A volta do Justiceiro", romance explorando o folclore brasileiro, publicado pela UICLAP. Publico crônicas diariamente em alguns grupos, meu perfil e meu blog... (taniamirandablog.blogspot .com)... sou casada, tenho quatro filhos e dois netos, sendo que minha neta mora comigo desde os três meses de idade...

Tania Miranda

Trabalho como Agente de Organização Escolar (Secretaria de Educação do Estado de São Paulo) embora no momento esteja prestando serviço junto ao TRE, no Cartório Eleitoral como Auxiliar Requisitada. Gosto de escrever, tenho dois livros publicados, "Tirésias, a dualidade da alma humana"(autobiografia), pela Editora Verso e Prosa e "A volta do Justiceiro", romance explorando o folclore brasileiro, publicado pela UICLAP. Publico crônicas diariamente em alguns grupos, meu perfil e meu blog... (taniamirandablog.blogspot .com)... sou casada, tenho quatro filhos e dois netos, sendo que minha neta mora comigo desde os três meses de idade...

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