INCONGRUÊNCIAS
Pra cada bem, existe o mal,
Pro que é doce, tem o sal,
E isso faz o mundo andar!
Essa é uma estrofe de uma canção do filme “A espada era a Lei”, dos Estúdios Disney… é uma história muito gostosa de assistir, onde conta as desventuras de Artur antes de tornar-se Rei da Inglaterra. Para quem gosta de uma bela história de fantasia, não há coisa melhor. A gente mergulha de cabeça no mundo da Era das Trevas, onde as trevas não são tão intensas assim… ao menos na história contada magistralmente nesse filme…
Quais as lições que recebemos durante a história do garoto desajeitado e meio perdido entre tantas normas à sua volta? A principal, talvez, seja a de que tudo nessa vida, como uma moeda, tem dois lados… haverá sempre o oposto de qualquer coisa que tenhamos à nossa frente. Nada é definitivo, nenhuma resposta é realmente a correta. Depende do ponto de vista…
Vivemos uma realidade binária, onde tudo é sempre a soma de 1 + 1… mesmo que a princípio não concordemos com essa ideia. Nós mesmo somos resultado dessa soma. Se dois não se tornassem um, jamais existiríamos. Pois, como diz o velho ditado, “uma andorinha só não faz verão”…
Nosso Universo é composto de pares. Complementares. Um não consegue seguir em frente sem a junção do outro. E, ainda assim, por motivos que não conseguimos imaginar, há uma espécie de complô tentando sabotar o entendimento dessa verdade simples da vida… o doce, sem o sal, nada significa para o mundo…
Desde que o Mundo é Mundo há uma facção que tenta, de todas as formas, jogar os homens contra as mulheres. E vice versa. Por motivos variados, os representantes de Marte parecem não compreender as filhas de Vênus… é como se não compreendessem que um sem o outro simplesmente não existe. E essa situação se arrasta já desde a criação do primeiro núcleo social…
A associação do Homem e da Mulher é primordial para a perpetuação da espécie. Se não houver a junção dos dois, não há como continuarmos a povoar este pequeno planeta. Esse é um ponto pacífico, não há como discordar. O problema é como tal associação é efetivada…
Os interesses de cada um são divergentes. Aquilo que é imprescindível para o Homem não faz sentido algum para a Mulher… e vice versa. A visão de mundo é diferente para cada um dos gêneros, mesmo que isso, a princípio, não faça nenhum sentido. Isso, talvez, tenha a ver com a formação de cada um…
Enquanto a Mulher é preparada para gerir uma família, o homem tem como atribuição principal ser o provedor. Claro que as coisas são um pouco diferentes na prática. Nos primórdios de nossa história o Homem tinha como principal atividade a caça, a conquista de novos territórios… a Mulher gerenciava o Lar, sempre atenta para que nada faltasse a ela ou aos seus descendentes. Era a Leoa a cuidar de seu grupo, cuidava com zelo de sua alcateia. Sempre solitária, uma vez que seu par ficava dias e dias ausente, garantindo o sustento de sua cara metade. O Homem era o Rei de seu grupo, mas quem mandava realmente em sua morada era Ela, a Rainha do Lar…
Em nossa Era Moderna o atrito entre os gêneros atingiu um grau realmente preocupante. O Homem não tem mais o peso que tinha na formação familiar. A Mulher conseguiu atingir patamares nunca antes sonhados. Claro que tal só se faz possível dependendo do núcleo social no qual ambos estão inseridos. É quando os interesses ocultos decidem intervir, agitando as águas já turvas dos relacionamentos pessoais. Se antes duas almas se juntavam mais por conveniência e deixavam a convivência definir seus destinos, nos dias de hoje esses relacionamentos já iniciam de certa forma de uma maneira enviesada… é como se alguém incentivasse a discórdia entre os gêneros… por qual motivo? Quem vai saber?…
De qualquer forma, enquanto não percebermos que as necessidades de cada um são únicas, mas que ao mesmo tempo devem se adaptar aos anseios do grupo ao qual estão inseridos, e que, não importa o gênero, todos precisamos lutar ombro a ombro, estamos fadados a caminhar tateando na escuridão. Pois a Luz apenas se apresenta quando nos damos conta de que nosso papel na formação social é importante, não importa quão pequena parece nossa participação no grupo…
Viver e deixar viver. Mas estar sempre atenta às necessidades de nosso par, assim como este deve estar atento a nós. Pois essa é a forma real de se viver. Cuidar de minhas prioridades, sem deixar de prestar assistência a quem caminha ao meu lado. E só assim, caminhando juntos, lutando ombro a ombro contra os obstáculos que se apresentarem à nossa frente, é que poderemos alcançar a tão sonhada vitória… e quiçá, encontra finalmente a Paz Mundial, quando todos viverão irmanados em apenas um objetivo… ser felizes…
Tania Miranda – Brasil – 30/03/2026

Trabalho como Agente de Organização Escolar (Secretaria de Educação do Estado de São Paulo) embora no momento esteja prestando serviço junto ao TRE, no Cartório Eleitoral como Auxiliar Requisitada. Gosto de escrever, tenho dois livros publicados, “Tirésias, a dualidade da alma humana”(autobiografia), pela Editora Verso e Prosa e “A volta do Justiceiro”, romance explorando o folclore brasileiro, publicado pela UICLAP. Publico crônicas diariamente em alguns grupos, meu perfil e meu blog… (taniamirandablog.blogspot .com)… sou casada, tenho quatro filhos e dois netos, sendo que minha neta mora comigo desde os três meses de idade…
