SOMOS OS LINFÓCITOS SOCIAIS…
Já disseram uma vez… “nunca espere nada de ninguém! Pois ninguém te deve nada…” bem, essa frase faz algum sentido. Mas, como tudo na vida, é relativo. Vivemos em um sistema onde todos dependem de todos, por mais que não gostemos de admitir. Uma simples falha na cadeia social causa um transtorno tal que parece irremediável no final das contas. Ou seja, precisamos, sim, esperar algo de nossos semelhantes. Pois apenas com sua ajuda conseguimos seguir adiante…
Não podemos exigir reciprocidade quanto aos sentimentos. Nesse caso, realmente não temos como esperar algo das pessoas. Elas gostam ou não de nós, depende de como parecemos aos seus olhos. Não há como obrigar alguém a “nos amar”…
Por outro lado, se o que precisamos é de colaboração em algum ato que devemos praticar, não importa se a nosso favor ou ao da comunidade… obrigar a pessoa a nos ajudar, não podemos, é claro… mas estendemos a mão, solicitando sua colaboração. Que pode vir ou não. E o resultado que teremos será em resposta àquilo que solicitamos. A ajuda pode nos proporcionar o sucesso desejado. Ou não. Afinal, temos sempre cinquenta por cento de chances de conseguir o sucesso em nossas empreitadas… mas sem ajuda, essas chances diminuem exponencialmente… até chegar no zero…
Não é fácil definir o que é e o que não é uma urgência para o grupo ou para nós… Muitas vezes confundimos nossas prioridades com as da comunidade… e vice versa…
Claro que, quando é uma pauta estritamente pessoal fica fácil definir. Mas muitas vezes o pessoal e o social se entrelaçam de tal forma que é quase impossível separá-los. E há sempre aqueles que adoram espalhar a cizânia entre os componentes do grupo de forma que tudo parece um amontoado sem sentido…
Viver em grupo é complicado, uma vez que todos devem respeitar as regras de boa convivência. Mas como cada pessoa tem uma visão diferente daquilo que deve ou não fazer, no final das contas acaba por confundir “alhos com bugalhos” e é nessa hora que o caldo entorna…
Se consideramos “o todo” como parâmetro para nossa vida, as coisas complicam ainda mais. Porque, se há regras que controlam nossa vida em grupos pequenos, quanto maiores forem as agremiações das quais participemos, maiores serão as exigências a nos cobrarem…
Uma coisa que deve ficar bem clara é… uma associação é bem mais que um aglomerado de pessoas seguindo uma mesma linha de pensamento. Na verdade, esse agrupamento acaba por criar vida própria, seguindo uma linha de conduta específica, nem sempre condizente com a consciência de cada um de seus membros…
Em verdade, ao participarmos de um grupo qualquer deixamos de ser indivíduos pensantes e passamos à condição de componentes de um corpo… em outras palavras, células responsáveis por proteger e oxigenar esse novo ser, criado com a nossa união…
Conscientes ou não, agimos de acordo com o desejo deste ser, que fará parte de outro ainda maior… até que atinjamos a condição de um ser supremo, único, que pode definir tudo aquilo que conhecemos…
Ah, mas se é assim, porque tanta belicosidade entre as pessoas? Bem, a resposta está diante de nossos olhos… como no microcosmo, em nossa realidade também há células de defesa e de ataque, todas com a mesma missão… preservar a integridade do ser do qual fazem parte…
Em nosso organismo há os linfócitos, responsáveis por identificar e neutralizar qualquer ameaça à nossa saúde. Um batalhão de linfócitos cerca e destrói os inimigos… é mais ou menos isso que ocorre em nosso mundo visível. Os soldados são os linfócitos, responsáveis por limpar o terreno para que o todo respire tranquilo, sem medo de sequelas…
O problema é saber quem realmente são os inimigos. Afinal, em nossa realidade, valem mais os interesses econômicos da elite dominadora, que no final das contas é quem dá as cartas sobre como agir ou não…
Tudo é válido para se criar uma distração. Sempre que alguém sai do script original será visto como uma ameaça a ser neutralizada. Pois essa pequena rebelião poderá desestabilizar totalmente o entendimento dos outros componentes do grupo. E isso é simplesmente inadmissível…
Isso explica porque há desigualdade social, porque há tantas pessoas relegadas à mingua, enquanto meia dúzia define o que pode e o que não pode ser aceito na escala social. E porque há tanta riqueza concentrada nas mão de tão poucos, enquanto há gente faminta, sem direito ao básico que é a sobrevivência. E aqueles que estão acima se sentem no direito de pisarem em seus “inferiores”…
Oxalá um dia essa dinâmica mude e as pessoas passem a ver o mundo como ele realmente é… um espaço para todos, onde todas as pessoas merecem as mesmas regalias, onde apenas a paz reine entre nós. E aí realmente não precisaremos espera nada de ninguém, pois todos estarão caminhando de mãos dadas, vivendo a Paz única e verdadeira, sendo realmente irmãos…
Tania Miranda – Brasil – 15/03/2025

Trabalho como Agente de Organização Escolar (Secretaria de Educação do Estado de São Paulo) embora no momento esteja prestando serviço junto ao TRE, no Cartório Eleitoral como Auxiliar Requisitada. Gosto de escrever, tenho dois livros publicados, “Tirésias, a dualidade da alma humana”(autobiografia), pela Editora Verso e Prosa e “A volta do Justiceiro”, romance explorando o folclore brasileiro, publicado pela UICLAP. Publico crônicas diariamente em alguns grupos, meu perfil e meu blog… (taniamirandablog.blogspot .com)… sou casada, tenho quatro filhos e dois netos, sendo que minha neta mora comigo desde os três meses de idade…
