QUEM SOMOS NÓS?
Somos pequenas ilhas espalhadas no Oceano da Vida. Cada ser é um Universo em separado, com suas ideias, seus sonhos… Procuramos desesperadamente um sentido em nossa vida e, muitas vezes, acabamos por não perceber o obvio…
Estamos sempre à procura de validação aos nossos atos. Se ninguém perceber aquilo que fizemos com tanto esforço, então não terá valido a pena. Porque não reconheceram nosso ato. Sim, vivemos para a Comunidade, não para nós…
Isso parece meio absurdo, se pensarmos bem sobre o assunto. Afinal, de que me serve a validação de outra pessoa sobre aquilo que faço ou sinto? Eu sou a dona de minhas vontades, não é mesmo? Ou será que não é bem assim? Está aí algo para se pensar…
A vida é um paradoxo. Afinal, no mesmo tempo que eu executo minhas ações para os outros, buscando sua aprovação, quero ser livre, tomar minhas próprias decisões. Mas cada ato, cada gesto por mim executado, tem como modelo algo que alguém já fez anteriormente… e ao replicar aquilo que já existe em meu Universo, procuro não só a aprovação de meus pares como também a benção da minha comunidade…
Cada passo dado nesse plano tem como objetivo alcançar o bem estar comum. Sim, mesmo que instintivamente, todas as nossas ações são pensadas no todo. Mesmo quando acreditamos estar agindo em prol de nós mesmas. Mesmo quando somos tachadas de “individualistas”…
Na realidade o individualista não existe. Não acredita? Então pense um pouco. Um ser individualista pensa apenas em seu bem estar, sem se preocupar com aqueles que gravitam ao seu redor. Porém, no entanto e contudo, ninguém que caminhe sobre essa terra é assim o tempo todo. Ou seja, todos nós, sem exceção, temos arroubos de individualismo em um momento ou outro. Mas isso não nos faz realmente individualistas, visto que na maior parte do tempo estamos preocupadas com aqueles que dependem de nossas ações…
Somos egoístas? Sim, até certa medida. O egoísmo é, de certa forma, a porta de entrada para o individualismo. Mas tanto em um caso quanto em outro, nossa imersão nesse mundo é relativa. Somos egoísta até o momento em que algo nos toca e acabamos por abrir mão de nosso próprio interesse em prol da Comunidade a qual estamos inseridas. Somos individualistas até o ponto em que percebemos a necessidade de deixarmos nossos projetos de lado em nome de um Bem Maior, não importa qual seja…
O ser humano é complexo por natureza. Nada é preto no branco. Vivemos sempre em uma área cinzenta, onde o Bem e o Mal costumam brincar com nossos sentimentos. Estamos sendo testados a todo instante. É como se alguém quisesse ter a certeza de que somos assim ou assado… e o resultado dessa experiência é sempre a mesma… somos ambíguos. Nem bons, nem maus… apenas respondemos ao ambiente ao qual estamos inseridos…
Claro que muito de nossa forma de agir está ligado aos núcleos aos quais pertencemos. Se estamos em um grupo que prega a Paz, defenderemos a Paz até mesmo ao custo de nossa vida. Se, ao contrário, o grupo em questão tem como base a violência, bem… agiremos de acordo com as ideias básicas do grupo…
Isso significa que jamais mudaremos de ideia? Claro que não. Afinal, somos uma incógnita, como eu já disse. Tanto a pessoa pacífica pode tornar-se violenta, dependendo do contexto, quanto aquele que está em um grupo radical pode passar a pregar um caminho mais pacífico. Tudo depende das circunstancias…
“Decifra-me ou te devorarei”, disse a Esfinge para Édipo, que depois de algum tempo se tornaria Rei… na realidade, a Esfinge somos nós mesmo… temos tantas facetas escondidas, tantas máscaras, que no final ficamos perdidas sem saber exatamente quem somos e para onde vamos. E aí está o paradoxo… quem somos nós, na verdade? Não temos uma resposta concreta…
Tudo o que podemos fazer é lidar com essa ambiguidade e procurar sempre o melhor caminho a trilhar… somos individualistas? Se a resposta for positiva, devemos nos policiar, pois sem a ajuda do grupo ao qual pertencemos não temos como atingir nossos objetivos. Somos egoístas? Talvez… mas esse defeito tem mais a ver com auto proteção que com qualquer outra coisa em nossa vida. Pois se e quando o momento pedir, deixamos todas as nossas reservas de lado e ajudamos aqueles que necessitam de nosso apoio…
Tania Miranda – Brasil – 14/02/2026

Trabalho como Agente de Organização Escolar (Secretaria de Educação do Estado de São Paulo) embora no momento esteja prestando serviço junto ao TRE, no Cartório Eleitoral como Auxiliar Requisitada. Gosto de escrever, tenho dois livros publicados, “Tirésias, a dualidade da alma humana”(autobiografia), pela Editora Verso e Prosa e “A volta do Justiceiro”, romance explorando o folclore brasileiro, publicado pela UICLAP. Publico crônicas diariamente em alguns grupos, meu perfil e meu blog… (taniamirandablog.blogspot .com)… sou casada, tenho quatro filhos e dois netos, sendo que minha neta mora comigo desde os três meses de idade…
