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VAMPIROS NÃO REFLETEM SUA IMAGEM….

Quem é você, de fato? Debaixo de sua pele camaleônica, como realmente se reconhece? Afinal, durante sua jornada, você interpreta vários papéis, e nem sempre se agrada com sua própria atuação, não é mesmo? Quantas e quantas vezes não lança mão de alguns subterfúgios para tentar colocar sua ideias em ordem, para tentar se entender… e quase nunca consegue… porque a pressão ao seu redor é intensa e não lhe dá trégua um segundo, sempre te cobrando a corresponder à imagem esperada para aquele momento que está vivendo…

Sim, durante seu dia você interpreta vários papéis, muitas vezes quase que ao mesmo momento. Afinal, se por um motivo qualquer você se encontra com dois elementos de dois grupos distintos, que muitas vezes nada tem em comum além de sua presença, você acaba por fazer uma atuação híbrida, onde as duas personalidades em questão acabam por se fundir…  e criam um novo ser, que acaba mais por confundir as pessoas ao seu redor que explicar ao que veio, realmente…

Não é fácil sermos nós mesmas, deixar aflorar a nossa real essência. Porque desde que aqui chegamos nos é entregue um roteiro a seguir e não nos dão permissão para improvisar nossas falas quando no palco. E a cada momento, a cada passo que damos rumo ao futuro que nunca chega, mais calhamaços de personalidades nos são entregues, com a plateia esperando uma apresentação impecável…

Estranho isso, não é mesmo? Ao mesmo tempo que estamos no palco, representando alguém que não condiz em nada com nossa verdadeira essência, também somos espectadores da atuação alheia e, muitas vezes, críticos ferozes quanto as suas atuações… sim, assim como somos avaliadas a cada segundo também avaliamos aqueles que estão circulando próximos a nós. E nem sempre avaliamos suas atuações de forma favorável…

Todos os momentos especiais de nossa vida são uma apresentação especial… a cerimônia de casamento, por exemplo… há algo mais artificial que toda aquela encenação frente a um “ministro”, com poderes concedidos por… boa pergunta essa, não é mesmo? Bem, esse “ministro” autoriza a união das duas pessoas em matrimônio e então estas estão aptas a formar uma família, seguindo os preceitos da sociedade na qual estão inseridos…

Engraçado pensar que nem sempre a união “de livre e espontânea vontade” corresponde realmente a essa expressão. Muitas vezes, por motivos mil, duas almas se unem não porque se amem realmente, mas porque estão dando uma satisfação à Sociedade onde vivem. E enquanto seguem a vida simplesmente se suportam, partindo para a traição para validarem algo que nem deveria ter-se iniciado…

Tudo bem… há, sim, uniões definidas pelo amor de um pelo outro. E, sim, todas elas a princípio seguem esse preceito, mesmo que não seja a verdade íntima do casal. Porque vivemos em uma Sociedade onde o que vale é o que é apresentado para o grupo, não o sentimento real de cada pessoa. Você é apenas um ator encenando uma história que deverá agradar aos espectadores. Pois somente assim será premiado com as palmas, quando cerrarem as cortinas…

Cada um tem a sua verdade escondida. Muitas vezes está tão oculta em seu ser que a personagem domina o corpo, deixando uma sensação de vazio e tristeza que o indivíduo não consegue explicar. É como se a pessoa estivesse vivendo um sonho… não, eu diria um pesadelo… do qual não consegue acordar. A sensação de vazio é tamanha, a solidão domina de tal forma sua alma que, mesmo rodeado de pessoas não consegue sentir-se pertencente àquele mundo que lhe apresentam…

Muitas vezes o desejo de livrar-se das correntes que o aprisionam dominam seu ser… mas o medo do que possa vir depois… as consequências da plateia ver além da máscara com a qual se apresenta, faz com que a persona continue no palco, mesmo que sua alma clame pela liberdade tão próxima mas ao mesmo tempo tão distante quanto as estrelas cintilantes no firmamento…

E sabe o que é pior? É que, no final das contas, a maioria daqueles que estão no palco e na plateia gostariam de experimentar, nem que por um momento, a sensação de liberdade a qual se negam. E por falta de coragem para dar esse passo acabam se tornando críticos ferozes da atuação de seus pares. E por isso condenam quem quer que ouse tirar a maquiagem com a qual se apresenta no palco,  e mostre, nem que seja por alguns instantes, sua verdadeira essência…

O poeta disse uma vez que “Narciso acha feio o que não é espelho”… mas o maior temor das pessoas é ver sua real imagem refletida… afinal, poucos estão preparados para enfrentar sua real essência… sua verdade…

Tania Miranda   –    Brasil   –   09/02/2026

Tania Miranda
Tania Miranda

Trabalho como Agente de Organização Escolar (Secretaria de Educação do Estado de São Paulo) embora no momento esteja prestando serviço junto ao TRE, no Cartório Eleitoral como Auxiliar Requisitada. Gosto de escrever, tenho dois livros publicados, "Tirésias, a dualidade da alma humana"(autobiografia), pela Editora Verso e Prosa e "A volta do Justiceiro", romance explorando o folclore brasileiro, publicado pela UICLAP. Publico crônicas diariamente em alguns grupos, meu perfil e meu blog... (taniamirandablog.blogspot .com)... sou casada, tenho quatro filhos e dois netos, sendo que minha neta mora comigo desde os três meses de idade...

Tania Miranda

Trabalho como Agente de Organização Escolar (Secretaria de Educação do Estado de São Paulo) embora no momento esteja prestando serviço junto ao TRE, no Cartório Eleitoral como Auxiliar Requisitada. Gosto de escrever, tenho dois livros publicados, "Tirésias, a dualidade da alma humana"(autobiografia), pela Editora Verso e Prosa e "A volta do Justiceiro", romance explorando o folclore brasileiro, publicado pela UICLAP. Publico crônicas diariamente em alguns grupos, meu perfil e meu blog... (taniamirandablog.blogspot .com)... sou casada, tenho quatro filhos e dois netos, sendo que minha neta mora comigo desde os três meses de idade...

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