A PRIMEIRA IMPRESSÃO NEM SEMPRE É A MELHOR…
Nem sempre, quando olhamos para alguém, conseguimos vê-la completamente. O que vemos é apenas a ponta do iceberg de sua personalidade. Que pode nos agradar ou não. Engraçado… a primeira impressão que temos de uma pessoa tem muito a ver com sua aparência física. E não adianta dizermos para nós e para o mundo que não prestamos atenção a esse detalhe… pois é o primeiro que notamos. E a partir dessa primeira impressão imaginamos como essa pessoa seria, fantasiando como ela agiria em nosso grupo.
Não temos a menor noção de como essa pessoa é em seu mundo particular. Mas ao colocarmos nossos olhos sobre ela, construímos toda uma vida para nossa personagem, baseadas em nossas percepções… algumas vezes ela corresponde a imagem que fizemos… mas, geralmente, não. Isso porque cada pessoa tem a sua própria personalidade. E não adianta projetarmos a imagem ideal sobre alguém que acabamos de conhecer. Só vamos saber como ela pensa e age com a convivência… e ainda assim, só descobriremos a parte que esta nos permitir…
Sim, não conhecemos as pessoas que gravitam ao nosso redor. De verdade, não. Conhecemos apenas a faceta que nos é ofertada. O resto é fruto de nossa imaginação. E quando descobrimos que ela não corresponde à imagem que fizemos, nos decepcionamos, como se esta tivesse culpa por não corresponder à nossa expectativa…
E sabe o que é pior? Até mesmo as pessoas mais próximas de nós são uma incógnita… pois, assim como “as outras”, essas também são multifacetadas e na maioria das vezes, quando conseguimos invadir a couraça de proteção destas, nos surpreendemos com o que encontramos… assim como surpreendemos aqueles que conseguem nos conhecer um pouco mais que a maioria das pessoas…
Sim, cada um de nós guarda um segredo a sete chaves, não deixando ninguém, nem as pessoas mais próximas, conseguirem desvendar aquilo que realmente faz parte de nossa essência… tudo o que apresentamos ao nosso público é a imagem esperada por esses… por isso agimos de formas diferente em diferentes situações. Mas aí está a grande ironia… as várias faces que apresentamos em nossos relacionamentos poderiam nos preparar para entendermos a representação do semelhante próximo a nós. Mas não é isso o que acontece…
Em realidade, percebemos aquilo que desejamos encontrar. Não importa se tal, em um primeiro momento, não corresponde à realidade. Pois temos aquela convicção de que podemos mudar tudo de acordo com nossos desejos. E acreditamos com tal força nessa premissa que, mesmo depois de constatarmos que a pessoa que está à nossa frente não corresponde realmente aos nossos sonhos, continuamos a investir nessa relação na vã esperança de que, em algum momento do futuro, esta passe a corresponder àquilo que desejamos…
Ah, sim… estou falando de um modo geral… sei que, ao ler as linhas acima, você deve pensar que falo de relacionamentos românticos, de envolvimento amoroso… não. Estou falando dos encontros que temos em nossa caminhada por esse plano. As pessoas que encontramos, as amizades que fazemos… muitas vezes investimos em um amigo até mais tempo que investiríamos em um interesse romântico. A imagem que fazemos de tal pessoa nos cativa de tal maneira que, quando descobrimos que esta realmente não é nada daquilo que imaginamos, nos sentimos traídas, decepcionadas…
O engraçado é que relutamos em aceitar certas pessoas, simplesmente porque ao conhecê-las não sentimos aquela conexão esperada. E no final das contas, estas acabam por ser aquelas que tem uma vida mais longeva ao nosso lado. Porque nada esperávamos das mesmas, até mesmo as evitávamos… e no final elas tinham mais em comum conosco do que poderíamos esperar…
Sim, nossa percepção em relação às pessoas são influenciadas principalmente por nosso preconceito primordial… desde o início fazemos um retrato mental daqueles que desejamos ao nosso lado. E rejeitamos em um primeiro momento todos os que não correspondem a essa visão. E acabamos por descobrir no final que estes são os que mais tem em comum conosco…
O preconceito não nasce espontaneamente. Ele é cultivado dia a dia, com as mensagens que recebemos diariamente, oriundas do meio ao qual estamos inseridas. O Grupo Social ao qual pertencemos traça um perfil das pessoas desejáveis para o relacionamento, tanto pessoal quanto social. E somos bombardeadas diariamente. E esses conceitos acabam, por osmose, fazendo parte de nossa linha de pensamento. Que pode ser quebrada, é claro. Mas até que tal se concretize, estaremos correndo atrás de quimeras, menosprezando a realidade simplesmente porque esta não tem o glamour esperado por nós…
Então, quando for apresentada a alguém desconhecido, não o exclua de imediato de seu rol de possíveis amigos, nem tampouco o inclua por corresponder a imagem que você tem das pessoas desejáveis… nos dois casos, é melhor dar um passo por vez, para conhecer quem acaba de chegar. Procure ver além da capa apresentada. Lembre-se que os protetores de tela sempre apresentam a melhor imagem, mas às vezes é aquela apresentação sem apelo, sem graça, que esconde o melhor…
E não se sinta enganada se as pessoas que escolheu para fazer parte de sua comunidade não corresponderem às suas expectativas… provavelmente você também não é exatamente o que eles esperavam…
Pense nisso…
Tania Miranda – Brasil – 31/01/2026

Trabalho como Agente de Organização Escolar (Secretaria de Educação do Estado de São Paulo) embora no momento esteja prestando serviço junto ao TRE, no Cartório Eleitoral como Auxiliar Requisitada. Gosto de escrever, tenho dois livros publicados, “Tirésias, a dualidade da alma humana”(autobiografia), pela Editora Verso e Prosa e “A volta do Justiceiro”, romance explorando o folclore brasileiro, publicado pela UICLAP. Publico crônicas diariamente em alguns grupos, meu perfil e meu blog… (taniamirandablog.blogspot .com)… sou casada, tenho quatro filhos e dois netos, sendo que minha neta mora comigo desde os três meses de idade…
